Chinesa Oppo, de smartphones, quer ter fábrica própria no Brasil

O mercado brasileiro de eletrônicos de consumo está na mira das marcas chinesas. A Oppo, fabricante de smartphones, planeja ter uma fábrica própria no Brasil. “Estamos planejando, existe a possibilidade”, afirmou ao Estadão o presidente da empresa para América Latina, Ethan Xue. Ele ponderou que não tem uma data para colocar o projeto de pé e que irá depender da velocidade de crescimento do mercado brasileiro.

A meta da companhia fundada em 2001, com sede na cidade de Dongguan, na província chinesa de Guangdong, e presente em mais de 70 países, é que o Brasil esteja entre os cinco maiores mercados em vendas na corporação global em três anos, disse o executivo.

Estudo recente da consultoria NielsenIQ mostrou que neste ano, pela primeira vez a participação de fabricantes chineses nas vendas de eletroeletrônicos, não apenas de celulares, respondeu por mais de 20% do faturamento do varejo nacional. É uma clara indicação de que de eletroeletrônicos chineses caíram no gosto dos brasileiros e que o preconceito de que são produtos baratos e de qualidade duvidosa está sendo vencido.

Para avançar no mercado brasileiro, a Oppo faz, no momento, “pesquisas profundas porque tem coisas complicadas no Brasil”, disse o executivo. Uma das dificuldades é entender a taxação dos produtos. “Temos um time completo para cuidar de impostos e taxas”, contou Xue.

O executivo descartou a hipótese de que o interesse pelo Brasil tenha aumentado por conta das sobretaxas impostas pelo governo de Donald Trump, dos Estados Unidos, aos produtos chineses. Aliás, a empresa nem está nos EUA.

Xue disse que o Brasil tem muitos consumidores jovens que gostam de produtos eletrônicos e procuram novas tecnologias. E esse é o público-alvo da companhia.

Com esse foco de se aproximar dos jovens, na última terça-feira, 30 de setembro, a marca chinesa no mesmo local do show do premiado rapper norte-americano Kendrick Lamar, apresentou os novos produtos. Antes do show, em espaço reservado no Allianz Park, em São Paulo, a direção da Oppo detalhou os modelos de smartphones Reno14 e Reno14 F.

Voltados, sobretudo, para os jovens, os aparelhos têm um design fashion, cintilante. Tanto é que a Oppo será a marca oficial de smartphones da próxima edição do São Paulo Fashion Week.

A chegada

A companhia chinesa, de capital fechado e que não tem participação do governo chinês como outras corporações do país, desembarcou no Brasil em 2022, vendendo smartphones importados para testar o mercado.

Em 2024, fechou parceria com a Multi, que passou a produzir smartphones para a Oppo em suas fábricas em Manaus (AM) e em Extrema (MG), usando componentes importados. Nessa ocasião, a marca estreou no varejo no Magazine Luiza.

“Tínhamos um desenho de estar em 3 mil pontos de venda até o final de 2026, mas já chegamos nesse número agora”, contou André Alves, gerente sênior de vendas da Oppo Brasil.

Além do Magazine Luiza, os produtos hoje estão sendo vendidos na Casas Bahia, nas redes varejistas Gazin, Bemol, Sipolatti, Americanas, Armazém Paraíba e nas lojas das operadoras Claro e Vivo.

Os smartphones também começam a ser comercializados na Amazon, no Mercado Livre e na própria loja online da Oppo, com início previsto para este mês. Nos planos da companhia, está prevista uma loja física própria para este ano.

“Somos fortes na China em pontos de venda e a empresa nasceu desse contato com o cliente”, disse Alves. Hoje a Oppo tem 1,5 mil promotores em 3 mil pontos de venda espalhados pelo País. O plano é chegar a 2 mil promotores para atender os clientes dentro das lojas físicas.

Uma das metas da companhia no Brasil é, até 2029, ser a segunda marca de celular que usa o sistema Android. Hoje o Brasil responde por 30% do mercado de todos os smartphones de diferentes fabricantes vendidos na América Latina.

Alves destacou que o mercado brasileiro de smartphones é muito concentrado em poucas marcas. “Isso não ocorre em nenhum lugar do planeta.”

Apesar do grande peso do mercado interno brasileiro, Xue não descarta possibilidade de fazer do Brasil uma base exportadora para os países vizinhos, quando a empresa tiver fábrica própria aqui. A Oppo estreou em outros mercados da América Latina em 2020, mas com produtos importados e sem produção local. E assim permanece até hoje.

https://www.estadao.com.br/economia/chinesa-oppo-de-smartphones-quer-ter-fabrica-propria-no-brasil

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