Brasileiros querem recomendações e controle de dado com IA

A maioria dos brasileiros está disposta a receber recomendações financeiras personalizadas por inteligência artificial (IA) desde que mantenha o controle sobre os próprios dados. Pesquisa realizada pelo Mercado Pago no mês passado com 2,3 mil brasileiros mostra que 73% se sentiriam mais confortáveis em usar IA para finanças caso as recomendações fossem feitas com base em seu histórico real de gastos.

Deste total, 40% afirmam que a ferramenta seria “muito mais útil”, enquanto 33% aceitariam o uso dos dados desde que pudessem escolher quais informações seriam compartilhadas. Apenas 17% dizem que não se sentiriam confortáveis, e 10% preferem recomendações genéricas.

Para Ignacio Estivariz, vice-presidente do Mercado Pago, o resultado mostra uma mudança na relação entre consumidores e instituições financeiras. “As pessoas querem experiências cada vez mais personalizadas, mas essa personalização precisa vir acompanhada de transparência, segurança e autonomia”, avalia. Segundo ele, os consumidores passaram a entender que seus dados podem gerar valor, mas querem participar dessa troca “de forma consciente”.

O Open Finance deve acelerar esse processo ao ampliar a capacidade das instituições de compreender o contexto financeiro dos clientes. “O Open Finance tem um papel estratégico ao permitir uma visão mais completa da vida financeira do cliente”, afirma Estivariz. Para ele, combinado à IA, o Open Finance abre espaço para recomendações mais contextualizadas e personalizadas. “Nesse cenário, o cliente é o protagonista. Ao decidir compartilhar seus dados, ele passa a acessar soluções que geram valor concreto para sua rotina, seja para organizar melhor as finanças, planejar objetivos ou receber recomendações mais alinhadas ao seu perfil.”

Ao serem perguntados sobre qual tipo de assistente financeiro prefeririam usar, 28% responderam que tanto faz, desde que funcione bem. Outros 26% optariam por um aplicativo independente, sem vínculo com o banco, enquanto 24% preferem um assistente integrado à instituição financeira, aproveitando o histórico de movimentações. Apenas 22% afirmaram que não usariam nenhuma das duas opções.

Na avaliação de Estivariz, essa personalização tende a deixar de ser um diferencial para se tornar uma exigência do mercado. “O verdadeiro diferencial competitivo estará na qualidade dessa personalização, na capacidade de entender o contexto de cada pessoa e transformar dados em experiências realmente úteis, simples e relevantes”, afirma.

Para ele, a experiência oferecida pelos assistentes de IA pode passar a influenciar a escolha de bancos e fintechs pelos clientes.

A pesquisa também indica que ainda existe um grande espaço para expansão da lA aplicada às finanças. Embora 66% dos entrevistados já usem assistentes de IA (27% com frequência e 39% ocasionalmente), apenas 17% usam essas ferramentas para organizar as finanças. Outros 47% nunca usaram, mas demonstram interesse, enquanto 20% não veem utilidade e 16% dizem não confiar nesse tipo de solução.

Entre as principais aplicações desejadas estão controlar os gastos do mês (16%), descobrir formas de economizar (14%), receber sugestões de investimentos (12%), planejar compras de maior valor (9%) e comparar produtos financeiros, como crédito (9%).

Para Estivariz, a diferença entre o interesse e o uso efetivo mostra que o mercado ainda está em fase inicial. “O consumidor precisa entender como a tecnologia funciona, quais dados estão sendo utilizados e, principalmente, perceber um benefício concreto”, explica. Segundo ele, o desafio agora é transformar o interesse dos consumidores em soluções acessíveis e relevantes.

O levantamento mostra ainda que 48% dos brasileiros continuam tomando decisões financeiras importantes por conta própria, sem apoio externo. Outros 17% pesquisam na internet, 12% consultam amigos ou familiares, 12% recorrem a profissionais e apenas 11% utilizam aplicativos de finanças pessoais.

Para Estivariz, é nesse espaço que a IA deve ganhar relevância. “O princípio deve ser usar a tecnologia para ampliar a capacidade de compreensão e decisão do usuário. [..] A IA deve apoiar a tomada de decisão, não retirar a autonomia do cliente.”

https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/07/21/brasileiros-querem-recomendacoes-e-controle-de-dado-com-ia.ghtml

Deixe um comentário