Americanos temem a maior crise de crédito desde a Grande Depressão

Consumidores americanos estão diante do que se pode ser a maior crise de crédito desde a Grande Depressão. Bancos e empresas de informação de crédito não sabem muito bem o que fazer. 

À medida que o coronavírus avança, milhares de garçons, e funcionários de empresas aéreas perdem empregos e podem parar de pagar prestações de financiamento imobiliário, contas de cartões de crédito e outros empréstimos. 

Os bancos ainda não relataram pagamentos que deixaram de ser feito, mas o impacto pode ser grande. Se os devedores começarem a não pagar, podem perder suas casas e carros. No longo prazo, essas inadimplências podem ser incluídas em relatórios de crédito pessoal, o que prejudicará sua capacidade de fazer empréstimos. 

Esse cenário tem relação com o estrago feito pelo coronavírus. Dados divulgados ontem pelo Departamento do Trabalho mostram que o número de americanos solicitando seguro-desemprego disparou. Na semana encerrada em 14 de marco foram 281 mil pedidos, alta de 70 mil em comparação com o período anterior e o maior número desde setembro de 2017. 

Diante da interrupção dos negócios e impactos da pandemia, alguns bancos já anunciaram programas destinados a ajudá-los. O Citigroup elevou os limites de gastos para certos clientes, entre eles os que têm despesas médicas crescentes. O JP Morgan prorrogou a data de pagamento de cartões de crédito, empréstimos para automóveis e imóveis. O Goldman Sachs passou a permitir que devedores que fizeram empréstimos do seu banco de varejo, Marcus, adiem pagamentos por um mês. 

Ainda assim, a desaceleração econômica esperada pode devastar muitos consumidores que já estavam sobrecarregados. Os americanos se endividaram mais profundamente na última década, à medida que os custos aumentaram e grande parte dos rendimentos não conseguiu acompanhar esse ritmo. Os saldos das dívidas de consumidores, que incluem cartões de crédito, empréstimos para automóveis e financiamento estudantil, estão em níveis recordes. 

Bancos e empresas de serviços de informação de crédito ainda analisam o que podem fazer pelos consumidores. Alguns creem que o auxílio deve ser oferecido aos devedores ou a todos que o solicitarem. Outra opção, a de exigir que pessoas provem que foram afetadas pelo coronavírus, pode ser impraticável, dado o longo alcance dos efeitos econômicos do vírus. 

Congressistas perguntaram às principais empresas de informação de crédito dos EUA, Equifax, Experian e TransUnion, o que podem fazer para limitar os danos à reputação creditícia dos consumidores que deixarem de pagar prestações. Representantes do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca estão em contato com essas empresas, segundo fontes. 

Bancos enviam informações sobre seus devedores, como pagamentos não feitos, às empresas de informação de crédito. Elas compilam e vendem as informações aos bancos para ajudá-los a decidir a quem conceder empréstimos. A informação é usada para calcular o perfil de crédito do cliente. 

A maioria dos bancos ainda não informou se evitará reportar pagamentos não feitos às empresas de informação de crédito. E as empresas de informação de crédito planejam continuar a incluir as informações que recebem sobre pagamentos não feitos nos relatórios. 

Uma exceção é o Discover Financial Services, que anunciou que não reportará pagamentos não feitos às empresas de informações de crédito por dois meses. 

As empresas de crédito hipotecário já oferecem os chamados planos de tolerância em determinadas situações, pelos quais os devedores podem parar de pagar prestações temporariamente e compensá-las posteriormente. 

Agências reguladoras podem determinar que empresas de crédito hipotecário considerem essa opção a consumidores em dificuldade, se o empréstimo for garantido pelo governo. E podem determinar que empresas considerem a possibilidade de permitir que devedores interrompam pagamentos devido a desastre natural. 

Especialistas dizem que as ferramentas para ajudar os proprietários de imóveis em dificuldades não estão preparadas para o coronavírus. Proprietários dizem que aceitar suspensão temporária de prestações devido a desastres naturais os deixou em situação pior. 

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2020/03/20/americanos-temem-a-maior-crise-de-credito-desde-a-grande-depressao.ghtml

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