União Europeia rejeita sugestão da Rússia para incluir aliado em negociações sobre Ucrânia

Governos da União Europeia rejeitaram nesta segunda-feira, 11, a sugestão do presidente russo, Vladimir Putin, de incluir o ex-chanceler alemão Gerhard Schroeder em eventuais negociações sobre segurança europeia e guerra na Ucrânia. As informações são da Reuters.

A proposta foi mencionada por Putin no sábado, 9, ao afirmar que a guerra na Ucrânia estaria se aproximando do fim e que estaria disposto a discutir novos acordos de segurança para a Europa. Segundo o presidente russo, Schroeder seria um nome adequado para participar dessas conversas.

De acordo com a Reuters, a reação veio durante reunião de ministros das Relações Exteriores da União Europeia, em Bruxelas. Autoridades do bloco demonstraram desconfiança sobre a disposição de Moscou para negociar o encerramento da guerra e descartaram qualquer papel para o ex-chanceler alemão, que manteve relações próximas com Putin e trabalhou para empresas estatais russas após deixar o governo da Alemanha.

“Está claro por que Putin quer que ele seja a pessoa — para que, na verdade… ele ficasse sentado dos dois lados da mesa”, disse a chefe de política externa da UE, Kaja Kallas. “Se dermos à Rússia o direito de nomear um negociador em nosso nome… isso não seria muito sensato”, acrescentou.

O ministro alemão para Assuntos Europeus, Gunther Krichbaum, também rejeitou a hipótese de Schroeder atuar como mediador. Segundo ele, o ex-chanceler “não tem as credenciais necessárias para ser um mediador honesto” e continua “fortemente influenciado” por Putin.

Já o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, também criticou a possibilidade de participação de Schroeder nas conversas. Ainda assim, afirmou que a Europa poderia participar de negociações paralelas e “complementares” às tratativas lideradas pelos Estados Unidos para tentar encerrar a guerra, informou a Reuters.

Posição sobre conflito e relação com Putin

Schroeder é criticado por se manter nos cargos depois do início da guerra e chegou a dizer, três semanas antes da invasão, que a Ucrânia teve um comportamento agressivo nas relações com a Rússia.

Durante o período em que foi chanceler da Alemanha, entre 1998 e 2005, Schroeder apresentou projetos ambiciosos de reforma do estado de bem estar social e se destacou por ter se oposto à guerra no Iraque, liderada pelos Estados Unidos. Ele deixou o cargo, que representa a chefia do governo alemão, em 2005, como um estadista respeitado.

Desde então, Schroeder ganhou uma imagem suspeita pela relação próxima e supostamente lucrativa com o setor de energia russo – desde 2017, ele preside o conselho de administração da estatal russa Rosneft – e por uma amizade com Putin. Apesar da suspeita, não era o único na Alemanha a adotar essas posições.

Entretanto, a posição do ex-chanceler após a guerra na Ucrânia acabou por desgastar a sua imagem. No dia da invasão, ele afirmou que o governo russo tinha responsabilidade de acabar com a guerra o mais rápido possível e que os interesses de segurança não justificavam a invasão, mas não falou sobre os cargos que ocupa no setor de energia russo. Posteriormente, disse em um post no Linkedin que as relações da Rússia com o Ocidente tiveram “muitos erros, de ambos lados”.

Em 2022, Schroeder rejeitou a indicação ao conselho de supervisão da estatal russa Gazprom, a maior exportadora de gás natural do mundo, após críticas na Alemanha. Na época, os legisladores alemães concordaram em fechar o escritório dele, financiado pelos contribuintes, e o Parlamento Europeu pediu que ele sofresse sanções por receber dinheiro russo.

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