O presidente russo, Vladimir Putin, assinou na segunda-feira um decreto concedendo o perdão de dívidas a novos recrutas militares, enquanto Moscou continua os esforços para fortalecer suas forças armadas em meio à invasão da Ucrânia. No mesmo dia, Putin promulgou uma legislação que prevê a possibilidade de intervenção militar em países terceiros onde a liberdade de cidadãos russos esteja ameaçada.
O decreto cancelará dívidas de até 10 milhões de rublos (cerca de US$ 139 mil ou R$ 695 mil) para aqueles que se alistarem no Exército, em uma nova tentativa de atrair mais homens para o campo de batalha na Ucrânia. Os russos que assinaram um contrato militar após 1º de maio deste ano, assim como seus cônjuges, poderão usufruir do alívio financeiro. As dívidas também devem ter sido contraídas antes de 1º de maio e o contrato deve ter duração mínima de um ano e estar destinado a “cumprir as tarefas da operação militar especial”, termo usado pelo Kremlin para se referir à guerra contra a Ucrânia.
O governo russo oferece salários atraentes para homens que se alistam para participar da ofensiva contra a Ucrânia. Este decreto é a mais recente medida de apoio econômico às tropas, com a economia do país em estado de guerra há quatro anos. Putin também defendeu a reintegração social dos veteranos da guerra na Ucrânia, pedindo que os combatentes que retornam recebam cargos profissionais de alto nível em seu país.
Uso das forças armadas no exterior
Na segunda-feira, Putin também sancionou uma lei que permite o envio das forças armadas do país para proteger cidadãos russos que enfrentam processos judiciais em outros países, informou a Bloomberg.
A lei permitiria que Moscou interviesse militarmente em países terceiros onde a liberdade de cidadãos russos esteja ameaçada por processos judiciais ou prisões realizadas sem a permissão da Rússia ou fora do direito internacional. As forças armadas também poderiam ser usadas em casos em que russos forem detidos por ordem de órgãos judiciais internacionais cuja jurisdição não é reconhecida pela Rússia.
Não está imediatamente claro em que circunstâncias o Kremlin invocaria a lei. Enviar o exército a um país estrangeiro para libertar alguém da prisão pode desencadear um conflito militar com esse Estado.
O chefe da comissão de defesa do parlamento russo, Andrey Kartapolov, afirmou que a legislação permitiria que Moscou interviesse em casos como o do arquiteto russo Alexander Butyagin.
Butyagin foi preso em dezembro de 2015 na Polônia a pedido de Kiev por realizar escavações na Crimeia, território “anexado” ilegalmente pela Rússia da Ucrânia em 2014. Ele foi libertado em abril como parte de uma troca de prisioneiros entre a Ucrânia e a Rússia.
