A Rússia e a Ucrânia elogiaram o que chamaram de sugestão dos EUA para suspender ataques contra a infraestrutura energética dos dois países. Ambos, porém, mantiveram as ações nesta terça-feira (15) e elencaram condições difíceis para a trégua prosperar.
Na segunda (14), o presidente americano havia anunciado, com a usual fanfarra, que tanto Moscou quanto Kiev haviam aceitado a ideia e que isso poderia baixar os preços internacionais do diesel — que refletem mais a tensão provocada pela guerra de Trump contra o Irã e a disrupção do comércio de petróleo no Oriente Médio.
Logo depois, o ucraniano Volodimir Zelenski disse que aceitava a proposta, desde que houvesse garantias formais dos Estados Unidos de que Vladimir Putin faria o mesmo.
Nesta terça, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que a “sugestão” de Trump “era uma ideia muito boa”. “É necessário garantir a navegação aqui, inclusive para petroleiros [no mar Negro, sob ataque ucraniano]. O regime de Kiev não mostrou tal disposição”, afirmou.
Peskov ainda colocou mais uma condição para que os preços do petróleo não sejam afetados pela situação na Rússia: o fim das sanções ocidentais ao comércio e ao transporte do produto. Nada disso está no radar de Trump agora.
Enquanto isso, drones ucranianos atingiram e incendiaram parte de uma refinaria em Sizran, cerca de 800 km a leste do país invadido. Em Belgorodo (sul), uma pessoa morreu durante um bombardeio, e houve relatos de explosões em unidades logísticas da varejista online Ozon e de outras empresas.
Do lado russo, dois postos de combustível em Kiev foram alvejados diretamente nesta terça, e drones causaram um apagão na região centro-sul do país.
EUA também buscam retomar as negociações de paz entre russos e ucranianos. Não é tarefa fácil: nesta terça, o chanceler Serguei Lavrov disse que Moscou continuará lutando se e quando houver conversas com os rivais invadidos em 2022.
A crise tem elevado tensões com a Europa, e esta terça viu mais dois incidentes atribuídos à Rússia provocarem reações no continente.
No mais sério deles, uma fragata russa disparou sinalizadores contra um helicóptero militar Fennec da Dinamarca que se aproximou da embarcação, no mar Báltico. Um dos projéteis quase atingiu o aparelho, o que poderia ter levado até à sua queda, a depender do que fosse afetado.
Moscou não comentou o episódio. Copenhague convocou o embaixador russo para apresentar um protesto, e a premiê Mette Frederiksen disse que “a Rússia quer semear medo e discórdia”.
Na Lituânia, um drone que invadiu o espaço aéreo do país vindo de Belarus foi derrubado por caças italianos Eurofighter Typhoon que participam da missão de proteção dos Estados Bálticos neste mês.
Ainda não se sabe se o aparelho era russo ou ucraniano, mas, a ser repetido o padrão de incidentes anteriores, foi um drone perdido durante um ataque. Em algumas ocasiões, como no ano passado na Polônia, contudo, houve intrusões propositais que o Kremlin depois negou.
Segundo estudo do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, de Londres, a Rússia montou uma campanha para testar as defesas aéreas e sistemas de alerta na Europa entre 2024 e 2026, enviando drones para diversos pontos.
Um incidente mais grave ocorreu no mês passado, quando um drone com explosivos quase foi detonado ao lado de um avião de carga ucraniano em Leipzig. O governo alemão acusou diretamente a Rússia pelo incidente, em que Moscou também negou responsabilidade.
Por fim, Moscou manteve a rotina de sinalizar prontidão com o voo de dois bombardeiros estratégicos para ataques nucleares Tu-95MS sobre o mar de Barents, perto da Noruega, onde foram acompanhados por caças do país da aliança militar Otan.
