Petróleo fecha próximo de US$ 100 com ataque à refinaria saudita

O preço do petróleo voltou a subir nesta terça-feira, aproximando-se do patamar simbólico de US$ 100 por barril, após uma série de ataques dos rebeldes houthis do Iêmen contra a vizinha Arábia Saudita, potência exportadora do “ouro negro”.

O preço do barril do Brent do Mar do Norte, com entrega em novembro, subiu 0,95%, para US$ 97,92, tendo atingido, durante o dia, US$ 99,46. Seu equivalente americano, o barril do West Texas Intermediate, com entrega em outubro, avançou 1,69%, para US$ 93,03.

Os houthis atacaram o sul da Arábia Saudita com dezenas de drones e mísseis, visando instalações da gigante petrolífera Aramco em Abha, Najran e Jizan, bem como a base aérea Rei Khalid em Jamis Mushait, segundo o porta-voz militar houthi Yahya Saree.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou na terça-feira que “a mão do Irã” está por trás desses ataques.

A Arábia Saudita é um importante exportador mundial de petróleo bruto, cujas vendas já foram afetadas pelo bloqueio do Estreito de Ormuz em consequência da guerra no Oriente Médio.

Segundo Riad, esses novos ataques causaram “incêndios em várias instalações, o que implica a interrupção temporária de algumas operações”.

No centro das hostilidades entre a Arábia Saudita e os rebeldes houthis está o estreito de Bab el Mandeb, uma rota comercial estratégica que conecta a Ásia com a Europa através do Mar Vermelho e do Canal de Suez, que serve às exportações de petróleo bruto saudita.

Uma nova “zona proibida” próxima a essa passagem estratégica pode ser anunciada nos próximos dias pelo Irã, afirmou no domingo o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Mohsen Rezai.

Mesmo que Teerã não consiga realmente impedir a passagem de navios, “um endurecimento das restrições, um risco militar maior e um aumento do prêmio de seguro poderiam reduzir efetivamente a capacidade de exportação do Golfo”, afirma Arne Lohmann Rasmussen, analista da Global Risk Management.

A ampliação do conflito poderia levar o barril de Brent a ultrapassar os US$ 120, segundo o banco americano Goldman Sachs.

A campanha contra o maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) aumenta a preocupação de que o fornecimento de petróleo bruto continue enfrentando interrupções como consequência tanto dos ataques houthis quanto da guerra com o Irã. Os estoques globais diminuíram rapidamente, e os preços dos combustíveis refinados, como o diesel, estão disparando em todo o mundo.

O Brent acumula uma alta de mais de 60% no ano, enquanto o preço de referência do diesel europeu se aproxima de US$ 200 por barril.

“Os mercados estão incorporando cada vez mais a possibilidade de um conflito prolongado no Oriente Médio”, disseram analistas do Goldman Sachs, entre eles Daan Struyven, em uma nota, ao elevarem moderadamente as projeções do banco para o preço do petróleo, sob a premissa de que as interrupções no transporte marítimo persistirão até 2027. “Os riscos para nossa previsão de preços continuam significativamente inclinados para cima.”

Além das tensões no Oriente Médio, os operadores de petróleo estão prestando cada vez mais atenção às perspectivas dos combustíveis refinados.

Russell Hardy, diretor da importante empresa comercializadora Vitol Group, disse nesta terça-feira, durante uma conferência em Cingapura, que esses mercados apresentam sinais cada vez maiores de escassez. Isso se deve, em parte, à perda de cerca de dois milhões de barris por dia nas exportações do Oriente Médio e de outros dois milhões de barris por dia da Rússia, como consequência dos ataques ucranianos com drones, afirmou.

Hardy estimou que os fluxos de petróleo pelo Estreito de Ormuz estão em torno de 10 milhões de barris por dia, aproximadamente metade dos níveis registrados antes da guerra, embora tenha acrescentado que é difícil calcular um número exato e que não há garantia de que esses volumes sejam transportados todos os dias.

Sobre o Estreito de Ormuz, o Irã afirmou na segunda-feira que um acordo com Omã é iminente e incluirá uma rota temporária de passagem segura, o que levanta dúvidas sobre como os Estados Unidos reagiriam depois de atacarem petroleiros iranianos durante o fim de semana. Teerã também advertiu que os navios correm risco de ataques próximo de Omã, em uma rota que os EUA vêm utilizando para ajudar as embarcações a atravessar a via marítima.

As importações chinesas de petróleo bruto aumentaram em agosto, já que os carregamentos provenientes do Golfo Pérsico registraram uma leve alta e as refinarias elevaram as compras de outras fontes, segundo dados aduaneiros divulgados na terça-feira. As maiores aquisições permitiram ao país exportar mais produtos petrolíferos, oferecendo algum alívio aos mercados globais.

Após a recente escalada das hostilidades, o funcionário iraniano Mohsen Rezaee disse que a “postura operacional em relação aos navios de guerra e às bases dos EUA foi fundamentalmente recalibrada”. Os Estados Unidos receberam um “claro aviso” sobre os mísseis do Irã nos últimos dias, afirmou o alto funcionário de segurança em uma publicação na rede social X.

“Vimos tantas reviravoltas desde o fim de fevereiro e, toda vez que pensamos que chegaríamos a algum lugar, tudo desmoronou”, disse Chris Weston, chefe de pesquisa da Pepperstone Group. “Estamos praticamente de volta ao ponto de partida.”

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/09/08/petroleo-beira-us-100-com-ataque-a-refinaria-da-arabia-saudita.ghtml

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