Em ligação telefônica com o líder saudita, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que “o Paquistão está em total solidariedade com a Arábia Saudita”. O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, afirmou, que alertou seu homólogo iraniano para não atacar a Arábia Saudita, citando um pacto de defesa mútua entre o governo paquistanês e o saudita.
“Fiz com que eles entendessem que temos um acordo de defesa”, disse Dar, que também é vice-primeiro-ministro do Paquistão, referindo-se a uma conversa que teve no sábado (28) com o chanceler iraniano, Abbas Araqchi.
Dar atribuiu ao pacto entre Islamabad e Riad, assinado em setembro de 2025, o fato de ter ajudado a manter “ataques com mísseis e drones [contra a Arábia Saudita] no mínimo”, em comparação com seus vizinhos do Golfo.
Só Hoje Teerã, por sua vez, buscou “garantias” de que o território saudita não seria usado para atacar o Irã, afirmou Dar.
O pacto de defesa mútua “estabelece que qualquer agressão contra um dos países será considerada uma agressão contra ambos”, segundo declarações dos governos paquistanês e saudita. No entanto, nem Islamabad nem Riad o invocaram até o momento, apesar de o Paquistão enfrentar dois conflitos com o Afeganistão desde outubro do ano passado.
Os comentários de Dar a jornalistas, juntamente com uma declaração anterior no Parlamento, foram os primeiros reconhecimentos públicos por parte de uma autoridade de alto escalão em Islamabad ou Riad de que o pacto pode se aplicar à guerra com o Irã.
As declarações do ministro paquistanês ocorreram no mesmo dia em que drones iranianos danificaram a embaixada dos Estados Unidos em Riad.
Posteriormente, a embaixada alertou para iminentes ataques com mísseis e drones contra a cidade oriental de Dhahran, onde está localizada a companhia petrolífera Saudi Aramco. A enorme refinaria de Ras Tanura, no reino, foi atingida por um drone na segunda-feira (2) e novamente atacada nesta quarta-feira (4).
Em uma ligação telefônica com o líder saudita, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, no sábado, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que “o Paquistão está em total solidariedade com a Arábia Saudita”, mas o comunicado paquistanês sobre a conversa não mencionou o pacto de defesa.
O Paquistão condenou a morte do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, e a “escalada regional” do conflito, mas suas autoridades de alto escalão evitaram atribuir culpa aos Estados Unidos ou ao presidente Donald Trump, a quem indicaram duas vezes para o Prêmio Nobel da Paz.
Qualquer envolvimento militar do Paquistão contra o Irã seria arriscado, devido ao amplo apoio a Teerã entre sua população, especialmente entre sua minoria xiita, estimada em 40 milhões de pessoas.
