O Kuwait acusou nesta terça-feira, 12, o Irã de enviar vários membros da Guarda Revolucionária Islâmica para se infiltrar em uma ilha kuwaitiana de importância estratégica.
Um grupo de integrantes da Guarda Revolucionária armados chegou à Ilha de Bubiyan, no Golfo Pérsico, em 1º de maio, a bordo de um barco de pesca alugado, e trocou tiros com soldados kuwaitianos, ferindo um deles, informou o Ministério do Interior do Kuwait em comunicado. Segundo a pasta, quatro membros da Guarda Revolucionária foram presos, enquanto outros dois fugiram. O Irã não reconheceu o incidente.
O ministério identificou todos os seis agressores e informou que entre eles estavam tenentes da Marinha e do Exército iranianos. As autoridades do Kuwait, assim como suas contrapartes nos vizinhos Bahrein e Emirados Árabes Unidos, têm reprimido indivíduos e grupos que elas dizem ter ligações com a Guarda Revolucionária do Irã.
Bubiyan é uma ilha praticamente desabitada ao largo da costa do Kuwait, onde o governo está construindo o estratégico Porto de Mubarak al-Kabeer com a ajuda da China, como parte da Iniciativa do Cinturão e Rota de Pequim. O episódio destacou como a guerra que os Estados Unidos e Israel têm travado contra o Irã tem envolvido cada vez mais os Estados árabes do Golfo nos combates, apesar de seus esforços para evitar um envolvimento militar direto.
No domingo, 10, vários países do Golfo relataram ataques, apesar do cessar-fogo em vigor há um mês. O Kuwait e os Emirados Árabes Unidos afirmaram ter detectado vários drones em seu espaço aéreo, enquanto o Catar informou que um navio de carga que partia de Abu Dhabi foi atacado por um drone em suas águas.
Desde o início da guerra, os países do Golfo que abrigam bases militares americanas enfrentaram milhares de ataques com mísseis e drones iranianos, causando danos à infraestrutura civil e matando pelo menos 20 civis.
Os Emirados Árabes Unidos, buscando proteger-se das consequências da guerra, intensificaram sua coordenação de segurança com Israel, à medida que os ataques iranianos têm como alvo cada vez mais o território emiradense. O Irã, por sua vez, acusou os Emirados Árabes Unidos de terem disparado contra o país.
Nesta terça, o embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, disse que Israel enviou suas baterias de defesa aérea Domo de Ferro e pessoal aos Emirados para ajudar a defendê-los, já que o país sofreu o impacto dos ataques com mísseis e drones iranianos durante a guerra.
Os comentários, feitos durante uma conferência em Tel Aviv, parecem ser a primeira confirmação oficial da mobilização, que foi noticiada na semana passada. É a primeira vez que se sabe que o sistema foi mobilizado em um país árabe.
A mobilização destacou os crescentes laços militares e de segurança entre os Emirados e Israel desde os Acordos de Abraão de 2020, que estabeleceram relações formais entre os dois países.
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