Juros de 1% sugerem virada no Japão após uma geração de deflação

No início de julho, com cervejas geladas, porções de macarrão “zaru soba” servidas frias e “matcha lattes” com gelo no cardápio, o verão japonês despontava como um paraíso prestes a ser desfrutado por bares, restaurantes e cafés do país. O Japão está em alta temperatura, e a chegada de turistas estrangeiros continua batendo recordes. Com o dólar cotado a 163 ienes, a fraqueza da moeda japonesa convenceu muitos japoneses a passar férias dentro do próprio país. E a disparada histórica da bolsa de valores, somada ao aumento dos salários, está produzindo um efeito riqueza que o país não experimentava havia muito tempo.

recordes. Com o dólar cotado a 163 ienes, a fraqueza da moeda japonesa convenceu muitos japoneses a passar férias dentro do próprio país. E a disparada histórica da bolsa de valores, somada ao aumento dos salários, está produzindo um efeito riqueza que o país não experimentava havia muito tempo.

A dimensão e a importância dessa transformação são notáveis. Nenhum país do tamanho econômico do Japão passou tanto tempo sob o domínio da queda de preços, e nenhum retornou a uma condição de “normalidade” – ainda indefinida – carregando um conjunto tão grande de incertezas.

“O Japão está passando por uma transformação estrutural”, diz Keiichiro Kobayashi, economista da Universidade Keio de Tóquio, que acompanha há três décadas a luta do país para sair da deflação. “É a transição de uma economia marcada pela escassez de demanda para outra caracterizada pela escassez de oferta.”

As mudanças são visíveis no aumento da confiança tanto no núcleo do governo quanto nas diretorias de grande parte do setor corporativo japonês – em também em sinais de tensão entre famílias e empresas endividadas.

Apresentado como uma “revolução copernicana na própria condução da política econômica e fiscal”, o plano econômico de US$ 2,3 trilhões proclama que o país “fez a transição para um cenário não deflacionário”, após anos em que a estagnação dos preços sufocou o investimento interno e a inovação. Mas o documento acrescenta: “A transição completa para uma nova economia orientada pelo crescimento ainda está apenas na metade do caminho”

Enquanto isso, o Banco do Japão (BoJ) está “normalizando” um regime de política monetária que se tornou um símbolo mundial de anormalidade. Durante oito longos anos, até 2024, a taxa básica de juros permaneceu em território negativo, um símbolo da aparente incapacidade do Japão de escapar de suas “décadas perdidas”. “. Mas em junho, o BoJ aumentou os juros para 1%, um marco alcançado pela primeira vez desde 1995. A maioria dos economistas espera novas altas das taxas ainda neste ano, embora o governo possa tentar pressionar o banco central para conter esse movimento.

Os rendimentos dos títulos de dez anos do governo japonês (referência para o mercado e que se movem em sentido oposto ao do preço, ajudando a determinar o custo do capital) dispararam para 2,91% este ano, o maior nível em três décadas. A volatilidade está retornando a um mercado que durante muito tempo esteve amplamente sob controle das autoridades e chegou a ser considerado praticamente sem vida.

No mercado acionário, a bolsa japonesa dobrou de valor desde 2024, o que significa que uma nova geração de japoneses está descobrindo esses investimentos. Professores de Economia relatam que passaram a ser procurados por alunos em busca de recomendações sobre compras de ações.

A população, acostumada a manter uma parcela significativa de sua riqueza em depósitos bancários, agora enfrenta o desafio de fazer seu patrimônio crescer em ritmo superior ao da inflação.

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