Índia e China cortam compras após sanção a petróleo russo

As maiores refinarias da Índia e da China suspenderam a maior parte das importações de petróleo da Rússia, após a sanção imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para cortar uma importante fonte de financiamento do Kremlin e pressionar Vladimir Putin a voltar à mesa de negociação com a Ucrânia.

A Reliance Industries da Índia, a maior refinaria do mundo, disse ontem que vai “recalibrar” as importações de acordo com as diretrizes do governo. O barril do petróleo Brent, referência mundial, subiu 5,43%, cotado a US$ 65,99, após o anúncio das sanções contra as petrolíferas russas Rosneft e Lukoil repercutirem nos mercados globais de energia.

Segundo um operador que trabalha de perto com as maiores petroleiras estatais chinesas e com refinarias indianas, todas suspenderam as compras depois da imposição das sanções americanas, embora refinarias chinesas menores e independentes devam continuar importando petróleo russo.

De acordo com um operador chinês, Pequim pediu que grandes petroleiras nacionais suspendessem as compras de petróleo russo transportado por via marítima após as sanções dos EUA e da Europa, mas a pausa pode ser apenas temporária. O Ministério das Relações Exteriores não comentou.

A decisão de intensificar as medidas contra Moscou ocorre após a deterioração das relações entre Trump e Putin, que levou ao cancelamento de uma reunião de cúpula planejada em Budapeste.

Ontem, Putin disse que as sanções eram uma”tentativa de pressionar a Rússia”. “As novas sanções ocidentais não terão um impacto significativo sobre a economia russa”, acrescentou ele, afirmando que substituir o petróleo russo no mercado global levaria tempo.

Um delegado da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) disse que o cartel está pronto para aumentar a oferta de petróleo, se necessário, até a reunião marcada para o fim de novembro, mas alertou que ainda “não há acordo ou discussão oficial” sobre o assunto.

Desde o início da guerra na Ucrânia, a Índia se tornou o maior comprador de petróleo russo transportado por via marítima, após as sanções afastarem outros compradores. O país perde apenas para a China, que importa cerca de 2 milhões de barris/dia, em grande parte por meio de oleodutos, que podem estar menos expostos às novas medidas dos EUA.

Trump já havia criticado duramente Nova Déli por comprar petróleo russo, impondo sanções duras em uma tentativa de dissuadir o país de continuar canalizando recursos para Moscou. Ele afirmou que o premiê indiano, Narendra Modi, prometeu que suspenderia as importações, o que poderia aliviar a tensão entre os dois países.

Juntas, a China e a Índia respondem por cerca de 80% das exportações de petróleo da Rússia, sendo que o petróleo e o gás representam aproximadamente um quarto do orçamento federal russo.

Mas as novas sanções dos EUA significam que empresas que continuarem comprando petróleo russo correm o risco de perder acesso ao sistema financeiro baseado no dólar. As medidas anunciadas especificam que “instituições financeiras estrangeiras participantes” poderão ser alvos de sanções secundárias por fazerem negócios com a Lukoil e a Rosneft.

Embora a alta dos preços do petróleo seja indesejável para Trump, que prometeu reduzir a inflação, os preços partem de uma base baixa, após caírem desde que a invasão russa havia elevado o barril para mais de US$ 100.

Amrita Sen, fundadora da Energy Aspects, disse esperar que o preço suba acima de US$ 70 por barril. “O mercado está tentando entender o impacto real, mas se a interrupção – mesmo que temporária – for superior a 2 milhões de barris por dia, vai haver pressão de alta sobre os preços”, “, disse ela.

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2025/10/24/india-e-china-cortam-compras-apos-sancao-a-petroleo-russo.ghtml

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