Fed reduz juros nos EUA pela terceira vez seguida, e taxa cai para 3,5% a 3,75%

O Fed (Federal Reserve) reduziu pela terceira reunião seguida a taxa de juros nos EUA. Nesta quarta-feira (10), a autarquia anunciou a queda para 3,5% a 3,75%, uma diminuição de 0,25 ponto percentual, na última reunião do ano.

As outras duas reduções (em setembro e outubro) também foram de 0,25 ponto percentual, contrariando pedido do presidente dos EUA, Donald Trump, que defende uma queda brusca nos juros para 1,5%.

Assim como havia ocorrido nas últimas três reuniões, a decisão dividiu os integrantes do FOMC (Comitê Federal de Mercado Aberto). Nesta quarta-feira, o corte de 0,25 ponto percentual foi aprovado por 9 votos a 3. O diretor Stephen Miran votou por uma redução de 0,5 ponto percentual, enquanto Jeffrey Schmidt (presidente do Fed em Kansas City) e Austan Goolsbee (presidente do Fed em Chicago) defendiam a manutenção da taxa entre 3,75% e 4%.

O FOMC afirmou que os indicadores mostram que a atividade econômica está em ritmo moderado, com o mercado de emprego desacelerando e a taxa de desemprego aumentando, assim como a inflação.

O comitê afirmou que está atento às variações dos índices de emprego e preços para que alcance a meta de 2% do aumento de preços ao consumidor. Em setembro, o PCE (Despesas de Consumo Pessoal), índice usado como referência pelo Fed, foi de 2,8% no acumulado de 12 meses.

Após a divulgação do comunicado do FOMC, o presidente do Fed, Jerome Powell, disse: “Gostaria de observar que, tendo reduzido nossa taxa de política monetária em 0,75 ponto percentual desde setembro e 1,75 ponto percentual desde setembro do ano passado, a taxa dos fed funds está agora dentro de uma ampla faixa de estimativas de seu valor neutro e estamos bem posicionados para aguardar e ver como a economia evolui.”

Powell acrescentou que “a política monetária não segue um curso predeterminado, e tomaremos nossas decisões reunião a reunião.”

A maioria dos banqueiros centrais dos EUA acredita que precisará cortar as taxas de juros de curto prazo no próximo ano, mas estão amplamente divididos sobre quanto, com um grande grupo contrário a quaisquer cortes e três indicando um aumento nas taxas.

Sete dos 19 formuladores de políticas do Federal Reserve acreditam que os custos de empréstimos não devem cair de forma alguma no próximo ano.

A previsão mediana é de uma taxa de desemprego de 4,4% até o final do próximo ano, inalterada em relação ao que foi relatado para setembro, os dados mais recentes disponíveis.

Já a perspectiva para a inflação foi a 2,9% neste ano, e cairá para 2,4% no próximo ano.

A decisão desta quarta-feira ainda foi impactada por alguns dados econômicos que estão atrasados, devido à paralisação do governo mais longa da história, que durou 43 dias e acabou em 12 de novembro.

Após a decisão dos juros, as agências de estatísticas dos EUA divulgarão os relatórios de emprego e da inflação para novembro, que podem ajudar a resolver o debate central entre os banqueiros centrais sobre a continuidade na redução da taxa de juros.

Os últimos dados que o Fed recebeu sobre inflação e empregos, suas duas principais áreas de preocupação, foram os de setembro, quando a taxa de desemprego subiu ligeiramente para 4,4%, e a medida de inflação preferida do banco central foi de 2,8%, acima de sua meta de 2%.

QUARTA REUNIÃO SEM UNANIMIDADE

A reunião desta quarta-feira é a quarta consecutiva sem uma decisão unânime no Fed. Em julho, dois diretores (Christopher Waller e Michelle Bowman) defenderam a redução de 0,25 ponto percentual, enquanto outros dez optaram pela manutenção da taxa entre 4,25% e 4,5%.

Na reunião de setembro, o diretor Stephen Miran foi o voto divergente ao optar por queda de 0,5 ponto percentual, enquanto 11 votantes ganharam com a redução de 0,25 ponto percentual. Miran voltou a defender a mesma diminuição em outubro, mas foi voto vencido. Nesse mês, Jeffrey Schmid foi outro a discordar, mas optou por não haver corte. Agora, a decisão foi por 9 votos a 3.

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/12/fed-reduz-juros-pela-terceira-vez-seguida-e-taxa-cai-para-35-a-375.shtml

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