Esporte se torna a nova fronteira do streaming

O mercado de streaming de vídeo foi turbinado durante a pandemia de covid-19, e até as grandes empresas que demoraram para estrear no formato passaram a ter um serviço para chamar de seu. Agora, rivais como Disney, HBO, Globo e Amazon começam a adentrar no esporte, uma fronteira até então completamente dominada pelos canais de televisão aberta e por assinatura. É um negócio que movimenta US$ 50 bilhões ao ano, aponta a consultoria Sports Value. É uma disputa difícil, e há dúvidas do quanto ela pode ser lucrativa.

A HBO Max é a que está fazendo uma das maiores apostas do segmento. A maior delas é na transmissão dos jogos da Liga dos Campeões da Europa, para a qual a companhia tem contrato fechado até 2024 e vai dividir a transmissão com a TNT Sports, da Turner. Os primeiros jogos já aconteceram, e a intenção da empresa, segundo o argentino Tomás Yankelevich, vice-presidente executivo e diretor de conteúdo da WarnerMedia, é levar os maiores jogos do mundo para os fãs de futebol.

Como a Turner e a HBO fazem parte do mesmo grupo, a Time Warner (que foi comprada pela operadora americana AT&T), esse intercâmbio de transmissões é facilitado. Por enquanto, a HBO Max conta com os jogos da Liga dos Campeões no Brasil e no México e também a transmissão do futebol local na Argentina. 

Yankelevich afirma que outros contratos estão sendo negociados e que o foco será o futebol. “A principal paixão do latino-americano é o futebol, e o segundo esporte é diferente em cada país da região”, diz ele. “Então, vamos nos concentrar nesse mercado.”

A Disney também estreou recentemente no esporte com o serviço Star+. O modelo é parecido com o da HBO Max: em parceria com a ESPN, que a empresa detém após a aquisição dos estúdios 21st Century Fox, em 2017. O Star+ oferece jogos ao vivo do campeonato inglês, italiano, português e também dos Estados Unidos. Mas a empresa já está apostando em outros contratos fechados pela ESPN, como jogos das ligas americanas de basquete, de beisebol e de futebol americano, para atrair mais assinantes. 

Porém, algumas dúvidas rondam o setor – e a DAZN é um exemplo delas. Em 2019, a companhia inglesa chegou ao Brasil para ser o primeiro streaming dedicado aos esportes. Com campeonatos de futebol no Brasil e no mundo, além de outros diversos esportes, o serviço, que custava R$ 37,90 ao mês, não prosperou. 

Para piorar, a pandemia paralisou boa parte dos eventos esportivos, o que foi um golpe certeiro na empresa. Aos poucos, apurou o Estadão, a DAZN trocou a operação local por uma terceirizada. “Existe muita dúvida se o negócio de streaming esportivo para em pé. A conta se fecha com venda de patrocínio, e o alcance no streaming é bem menor do que em a televisão”, diz Ivan Martinho, professor de marketing esportivo da ESPM.

Martinho também não enxerga que os investimentos das empresas em propaganda devam subir no próximo ano. “Acredito que voltarão aos níveis de 2019, mas ninguém está com dinheiro sobrando para investir”, diz ele. O problema é que a entrada de mais competidores aumenta os custos dos contratos. 

Recentemente, a Globo perdeu os direitos de transmissão de torneios importantes, como a Libertadores e o Campeonato Paulista. Ainda assim, a empresa continua colocando o esporte como um dos seus pilares. Porém, a transmissão por streaming se dá apenas por duas formas: para quem assina o canal SporTV pelo pacote da plataforma Globoplay, ou para quem está disposto a pagar mais pelos serviços à la carte do Premiere, de futebol, e do Combate, de lutas. Procurada, a empresa não diz se vai ampliar esse cardápio no futuro, mas que está de olho na produção de documentários sobre esportes para o Globoplay.

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