Espanha diz que Marrocos não provocou onda migratória em Ceuta, mas reafirma soberania

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou que não há “evidências sólidas” de que o Marrocos tenha provocado a onda migratória para Ceuta, enclave espanhol no norte da África, no fim de julho. Ele, no entanto, destacou a soberania espanhola sobre a região.

Recentemente, o Marrocos reivindicou a soberania sobre Ceuta e Melilla, outro enclave espanhol no norte da África. As duas cidades têm as únicas fronteiras terrestres entre a África e a União Europeia.

Políticos e cidadãos questionam o papel desempenhado por Rabat quando, no fim de julho, mais de 70 mil imigrantes entraram em Ceuta em dois dias. O número é quase equivalente à população total da cidade autônoma, estimada em cerca de 80 mil habitantes.

As dúvidas se intensificaram na quarta-feira, 2, após o vazamento de um relatório policial que apontou “permissividade” das forças de segurança marroquinas durante o fluxo migratório.

Sánchez disse ao Congresso que nenhum serviço governamental ou organização internacional “forneceu ao governo espanhol evidências sólidas de que Marrocos planejou ou executou o incidente”.

“Se existissem provas concretas, agiríamos de acordo com a contundência que a situação exige”, afirmou o premiê, que tem sido criticado pela direita e pela extrema direita pela forma como lidou com a crise.

Embora tenha rejeitado a existência de provas de uma ação coordenada por Rabat, Sánchez condenou as recentes declarações de dois ministros marroquinos a respeito de Ceuta e Melilla. Ele afirmou ter convocado a embaixadora marroquina após as declarações, em 21 de agosto.

Naquele dia, o jornal marroquino Le Desk informou que o ministro da Justiça, Abdellatif Ouahbi, reivindicou a “identidade marroquina” de Ceuta e Melilla em entrevista à emissora pública 2M.

“Essas duas cidades são espanholas há séculos”, disse Sánchez no Congresso. “E garanto-lhes que o governo espanhol manterá essa posição até o fim dos tempos.”

O premiê também defendeu a necessidade de o rei Felipe VI visitar as duas cidades “nas próximas semanas” para transmitir “o compromisso absoluto do Estado” com elas.

A última visita de um monarca espanhol aos dois territórios aconteceu em novembro de 2007, quando o rei Juan Carlos viajou às cidades e desencadeou uma crise diplomática com Rabat.

Embora a grande maioria dos migrantes que chegaram a Ceuta no fim de julho tenha retornado pouco depois, vários milhares — cerca de 5 mil segundo o governo espanhol e 10 mil segundo as autoridades locais — permanecem no pequeno território. Com informações da AFP.

https://www.estadao.com.br/internacional/sanchez-diz-que-marrocos-nao-provocou-onda-migratoria-em-ceuta-mas-reafirma-soberania-sobre-regiao-npr

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