Confiança do consumidor nos EUA aumenta em maio, após cinco meses de queda

A percepção dos americanos sobre a economia melhorou em maio, depois de cinco meses consecutivos de queda que levaram a confiança do consumidor para seu nível mais baixo desde o início da pandemia da covid19, uma queda provocada em grande parte pela ansiedade a respeito do impacto das tarifas de importação do presidente dos EUA, Donald Trump.

O Conference Board anunciou nesta terça-feira que seu índice de confiança do consumidor subiu 12,3 pontos em maio, para 98. Em abril ele fora de 85,7, a menor leitura desde maio de 2020.

Um índice das expectativas de curto prazo dos americanos para renda, condições dos negócios e mercado de trabalho deu um salto de 17,4 pontos, para 72,8, mas continua abaixo de 80, o que pode ser um sinal de uma recessão pela frente.

Entre os consumidores entrevistados na pesquisa, a proporção dos que disseram acreditar que haverá uma recessão nos EUA nos próximos 12 meses também diminuiu em comparação com abril.

As políticas agressivas e imprevisíveis de Trump – como as tarifas de importação massivas – têm obscurecido as perspectivas para a economia e o mercado de trabalho e provocado temores de que a economia americana esteja a caminho de uma recessão.

Mas a retirada de algumas tarifas, as pausas para a aplicação de outras e as negociações de Trump com alguns parceiros comerciais podem ter acalmado os ânimos por enquanto.

“A recuperação já era visível antes do acordo comercial de 12 de maio entre os EUA e a China, mas ganhou força depois dele”, disse Stephanie Guichard, economista sênior do Conference Board

Inicialmente, Trump impôs uma tarifa atordoante de 145% sobre a maioria dos produtos importados da China, mas depois acertou uma pausa de 90 dias para negociações. Os EUA também chegaram a um acordo com o Reino Unido no começo de maio.

Durante o fim de semana do feriado do Memorial Day, Trump e líderes da União Europeia anunciaram que a tarifa de 50% sobre importações da UE, que o presidente anunciou na sexta-feira, estava suspensa até 9 de julho. Esse anúncio não teve impacto na pesquisa do Conference Board, porque ela foi encerrada em 19 de maio.

Segundo o Conference Board, a recuperação da confiança este mês foi generalizada e observada em todas as faixas etárias e de renda.

As avaliações dos consumidores sobre a situação econômica atual também melhoraram, exceto no que se refere à disponibilidade de empregos, em que enfraqueceram pelo quinto mês consecutivo, apesar de outro relatório com bons dados sobre o emprego nos EUA.

De qualquer maneira, menos de 25% dos entrevistados disseram estar preocupados com a possibilidade de perder seus empregos, em comparação com os 50% que afirmaram estar temerosos de não conseguir comprar os produtos de que precisam ou que desejam.

No início deste mês, o Departamento do Trabalho informou que os empregadores americanos adicionaram surpreendentes 177 mil vagas de trabalho em abril e a taxa de desemprego continuou em baixos 4,2%.

As respostas por escrito à pesquisa do Conference Board mostraram que as tarifas ainda são a maior preocupação dos consumidores. A inflação também continua a pesar em suas mentes, embora alguns tenham observado que ela parecia estar diminuindo, junto com os preços da gasolina.

No início de maio, o Departamento do Comércio anunciou que em março os preços ao consumidor subiram apenas 2,3%, em comparação com um ano antes, porcentual abaixo dos 2,7% registrados em fevereiro. Com a exclusão das categorias voláteis de alimentos e energia, os preços do núcleo da inflação aumentaram 2,6%, em comparação com um ano antes – em fevereiro o número ficou em 3%. Economistas acompanham os preços do núcleo da inflação porque eles costumam oferecer uma leitura melhor sobre para onde a inflação caminha.

Os preços da gasolina flutuaram em torno de US$ 3,17 por galão neste mês, o que representa uma queda sobre os US$ 3,59 registrados no smo período do ano passado, mas um aumento de alguns centavos em comparação com abril.

A desaceleração da inflação pode ser um alívio temporário até que as tarifas abrangentes impostas por Trump comecem a elevar os preços de produtos de muitas categorias. A expectativa da maioria dos economistas é de que a inflação comece a subir aos poucos nos próximos meses.

Robert Frick, economista da Navy Federal Credit Union, disse que as reduções nas tarifas podem ter melhorado a confiança dos americanos neste mês, mas esse otimismo pode ser passageiro.

“Em um ou dois meses, quando os preços começarem a subir por causa das tarifas atuais, isso servirá como um lembrete preocupante de que uma nova batalha contra a inflação apenas começou”, afirmou Frick.

A pesquisa do Conference Board divulgada nesta terça-feira mostrou ainda que os planos dos americanos para gastos com moradia, carros e férias também cresceram em comparação com abril, com ganhos significativos depois da pausa nas tarifas impostas à China, em 12 de maio.

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2025/05/27/confianca-do-consumidor-nos-eua-aumenta-em-maio-mostra-conference-board.ghtml

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