O presidente do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) Jerome Powell, contrariou expectativas de mais cortes nas taxas de juros nos próximos meses, reiterando que os diretores da instituição enfrentam uma “situação desafiadora” ao decidir se priorizam o combate à inflação ou a proteção de empregos.
Em discurso nesta terça-feira (23), em Rhode Island, Powell sinalizou que essas medidas estão longe de estarem garantidas, apesar de investidores estarem precificando mais dois cortes em 2025.
O chair do Fed disse que se os banqueiros centrais “afrouxarem de forma muito agressiva”, então eles “poderiam deixar o trabalho da inflação inacabado e precisariam reverter o curso” para restaurar a taxa à meta de 2%.
O Fed cortou na semana passada (17) os juros americanos em 0,25 ponto, para a faixa de 4% a 4,25%, em meio a sinais de fraqueza no mercado de trabalho, inflação resiliente e dados modestos envolvendo o impacto das tarifas.
Powell também alertou que manter as taxas “restritivas” por muito tempo significaria que “o mercado de trabalho poderia enfraquecer desnecessariamente”.
“Os riscos de curto prazo para a inflação estão inclinados para cima e os riscos para o emprego para baixo — uma situação desafiadora”, disse ele em Rhode Island. “Quando nossos objetivos estão em tensão como esta, nossa estrutura nos chama para equilibrar ambos os lados de nosso mandato duplo.”
A inflação está acima da meta do banco central desde 2021 e deve aumentar ainda mais à medida que as tarifas do presidente Donald Trump elevam os preços para os consumidores americanos.
O crescimento mensal de empregos desacelerou em agosto, com empresas freando contratações, e pedidos de auxílio-desemprego subiram.
Durante o discurso, o presidente do Fed também falou sobre o impacto de tarifas. Segundo ele, os atingidos pelo aumento do imposto de importação de Trump não foram os estrangeiros, mas os importadores e varejistas nacionais.
“Eles não estão repassando aos consumidores grande parte do custo. Portanto, os efeitos reais sobre a inflação têm sido bastante modestos”, disse.
Ele também disse que não há grandes riscos à estabilidades do Estados Unidos no momento. “Não estamos em um momento de riscos elevados “, afirmou Powell.
O último corte do Fed —o primeiro desde dezembro— ocorreu em meio à forte pressão de Trump, que rotulou Powell de “cabeça-dura” por manter os custos de empréstimos inalterados.
Enquanto 10 membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) apoiaram um corte de um quarto de ponto, Stephen Miran, um aliado de Trump que se juntou ao conselho do Fed na manhã da reunião, apoiou um movimento maior de meio ponto.
Embora uma estreita maioria de 10 no FOMC apoie dois ou mais cortes até o final do ano, uma minoria considerável de sete não quer cortes algum, ou deseja que as taxas subam.
