Após ameaçar a Colômbia, Trump encontra Petro na Casa Branca em reunião cordial

Após meses de crise diplomática e até ameaças, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu nesta terça-feira (3) o seu homólogo colombiano, Gustavo Petro, em encontro na Casa Branca marcado por uma aparente cordialidade que sinaliza uma tentativa de retomada do diálogo entre os países.

O colombiano chegou às 10h53 (no horário local; 12h53 em Brasília) e saiu às 13h. Horas depois da reunião, fechada à imprensa, Trump afirmou, sem entrar em detalhes, que ele e Petro chegaram a um acordo relacionado ao combate do narcotráfico.

“Nós não éramos exatamente melhores amigos, mas eu não me senti insultado porque nunca tinha o conhecido. Nos demos muito bem. Estamos trabalhando nisso e em outras coisas, incluindo sanções. Tivemos uma ótima reunião”, disse o americano.

Logo depois, na embaixada da Colômbia, Petro também classificou a conversa de positiva. O presidente colombiano, porém, reconheceu que o momento ainda é de “profunda tensão entre os EUA e a América Latina” e afirmou que o agravamento da crise começou com incidentes no mar do Caribe, quando as forças americanas passaram a atacar embarcações supostamente envolvidas com o tráfico de drogas.

Antes da reunião, a relação entre os líderes havia se deteriorado. Petro criticou o ataque americano contra a Venezuela, no início do ano, e Trump aumentou a tensão acusando o colombiano de também permitir o tráfico de drogas, assim como fez com Nicolás Maduro. Depois, o americano disse gostar da ideia de uma operação militar contra Bogotá.

“Na reunião desta manhã, saí com uma imagem positiva e otimista”, disse Petro nesta terça. Ele confirmou que os países vão trabalhar juntos no combate ao tráfico de drogas na fronteira da Colômbia com a Venezuela.

O colombiano ainda pediu que os EUA trabalhem de forma árdua para encontrar os chefes do narcotráfico que, segundo ele, não vivem na Colômbia, mas em Dubai, Madri e Miami. Ele disse ter fornecido a Trump os nomes desses criminosos.

Segundo Petro, os líderes conversaram sobre “problemas concretos e caminhos possíveis a seguir”. Nenhum dos dois, entretanto, teria mudado sua “forma de pensar sobre muitas questões”.

“Mas como se faz um pacto? Um pacto não é entre gêmeos idênticos. Um pacto é entre oponentes que são capazes de encontrar caminhos rumo a uma fraternidade humana compartilhada”, afirmou Petro.

O colombiano disse que há visões distintas sobre como enfrentar tanto o tráfico de drogas quanto a sua produção. “Tentamos nos apegar ao que nos une, não ao que nos separa.”

Ele afirmou ainda ter sido presenteado com um boné vermelho do movimento Maga (Make America Great Again) e disse que pegou uma caneta para acrescentar a letra “S”, transformando a frase em “Americas”.

O encontro ocorreu no Salão Oval, espaço que ficou conhecido por abrigar discussões intensas entre Trump e outros líderes mundiais, o que lhe rendeu o apelido de “salão das emboscadas”.

Após a reunião, Petro postou uma foto com Trump no X em um corredor com fotografias dos presidentes dos EUA. “Também temos um corredor dos presidentes na Colômbia, na Casa de Nariño [residência oficial do presidente na Colômbia]. Enquanto você caminha, você caminha pela história, mas há sempre um muro no final. O que há além disso?”, escreveu o colombiano.

Momentos depois, ele compartilhou uma foto com um recado de Trump: “Gustavo, uma grande honra. Eu amo a Colômbia”, escreveu o presidente. De acordo com a imprensa colombiana, Petro teria presenteado o republicano com uma cesta de café e chocolates.

Por parte dos EUA, estiveram presentes, além de Trump, o vice-presidente, J.D. Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, e Bernie Moreno, senador americano-colombiano de Ohio.

Por parte da delegação colombiana, além de Petro, estiveram presentes a ministra de Relações Exteriores, Rosa Yolanda Villavicencio, o ministro da Defesa, Pedro Suárez, e o embaixador da Colômbia nos EUA, Daniel García.

A agenda de Petro em Washington ainda inclui presença no Congresso americano e um discurso na OEA (Organização dos Estados Americanos) sobre questões de segurança regional. Ele também participará de eventos com a comunidade colombiana e acadêmicos, incluindo uma palestra na Universidade Georgetown, uma das instituições mais influentes do país.

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/02/apos-criticas-e-ameacas-encontro-entre-petro-e-trump-na-casa-branca-dura-mais-de-2-horas.shtml

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