O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, irá visitar a Turquia para articular uma reunião trilateral com os Estados Unidos, em meio a temores de que Washington possa bombardear Teerã.
\O presidente turco Recep Tayyip Erdogan propôs uma videoconferência entre ele, o presidente americano Donald Trump e o mandatário iraniano Masoud Pezeshkian para dar mais uma oportunidade à diplomacia antes dos possíveis bombardeios.
Araghchi vai se reunir com o chanceler da Turquia, Hakan Fidan. O encontro servirá para “reiterar a oposição da Turquia a qualquer intervenção militar contra o Irã e insistir nos riscos de tal iniciativa para a região e o mundo”, declarou uma fonte da diplomacia da Turquia.
Em uma publicação na rede social Truth Social na quarta-feira, 28, Trump exigiu que o Irã negociasse um acordo nuclear e ameaçou o regime de Teerã com um ataque. O presidente americano apontou que uma “armada” dos EUA foi enviada ao Oriente Médio e advertiu contra possíveis mortes de manifestantes contrários ao regime teocrático.
Ancara acredita que ainda existe espaço para diplomacia e oficiais iranianos indicaram que estão abertos a conversas. Em uma entrevista à CNN publicada nesta quinta-feira pela agência IRNA, o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, se declarou aberto a um “diálogo real e no âmbito das regras internacionais” com os Estados Unidos.
“O que vimos até agora é que o presidente americano tenta impor (sua visão). E, se não é aceita, quer impor a guerra”, prosseguiu.
A Rússia afirmou que o potencial de negociação com o Irã “está longe de ter se esgotado”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trup, participa de um evento no Fórum Econômico de Davos, na Suíça Foto: Evan Vucci/ AP
Mudança de regime
Segundo a Agência Reuters, Trump está avaliando opções de bombardeio contra o Irã que poderiam incluir ataques contra as forças de segurança do país e seus líderes para inspirar os manifestantes. Oficiais israelenses e de países árabes teriam avisado que apenas os bombardeios não iriam acabar com o regime iraniano.
Duas fontes americanas que conversaram com a Reuters apontam que Trump queria criar condições para uma “mudança de regime” em Teerã depois da violenta repressão aos protestos no país asiático.
O balanço das ONGs sobre a repressão do governo em várias cidades do país, no início do mês, cita milhares de mortos, que na realidade podem ser dezenas de milhares.
A Agência de Notícias de Ativistas pelos Direitos Humanos (HRANA), com sede nos Estados Unidos, afirmou ter verificado 6.373 mortos, a maioria manifestantes atingidos por tiros das forças de segurança.
O grupo acrescentou que pelo menos 42.486 pessoas foram detidas e escreveu no X que o número de mortos poderia superar 17 mil.
Preparação
Um oficial iraniano de alto escalão apontou à Reuters que Teerã estava “se preparando para os dois cenários: confronto militar e diplomacia”.
Após reprimir com muita violência os protestos populares, o regime iraniano advertiu na quinta-feira, 29, que apresentará uma “resposta esmagadora” caso se concretize a ameaça de intervenção militar dos Estados Unidos.
O país asiático está dividido entre uma ala linha dura que gostaria que a liderança do Irã se posicionasse de forma firme contra Washington e oficiais que querem dialogar.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, apontou na quinta-feira que iria publicar uma lista completa dos mortos durante os protestos para tentar reduzir as tensões internas.
Sanções
Em meio a repressão dos protestos, a União Europeia (UE) anunciou que o bloco designou formalmente a Guarda Revolucionária do Irã como “organização terrorista”, por conta das mortes nas manifestações, segundo a chanceler do bloco, Kaja Kallas.
“‘Terrorista’, é assim que se qualifica um regime que reprime com sangue as manifestações de seu próprio povo”, reagiu a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
“Qualquer regime que mate milhares de seus próprios cidadãos trabalha para sua própria destruição”, afirmou Kaja Kallas à margem de uma reunião em Bruxelas.
Com a inclusão da Guarda Revolucionária iraniana na lista da UE, os europeus se somam a outros países, como Estados Unidos, Canadá e Austrália.
Os membros da UE também decidiram, nesta quinta-feira, sancionar vários funcionários iranianos, inclusive o ministro do Interior, Eskandar Momeni, o chefe da polícia e vários líderes da Guarda Revolucionária.
A lista destes funcionários iranianos foi publicada no diário oficial da UE.
No total, 21 entidades e indivíduos são alvos destas sanções, que lhes proíbem de entrar na UE e congelam seus ativos no território dos 27 países-membros do bloco./com AFP
