Rússia retoma ataques contra Kiev após três dias de trégua

A Rússia retomou ataques aéreos contra Kiev após uma suspensão de três dias durante a visita de enviados dos Estados Unidos para negociar o fim da guerra na Ucrânia. O bombardeio matou ao menos três pessoas, informou o prefeito Vitali Klitschko.

Segundo autoridades, a ofensiva provocou incêndios em vários distritos da capital ucraniana e danificou pelo menos 14 edifícios, incluindo uma escola, uma clínica e armazéns.

“Kiev estava explodindo e em chamas”, afirmou Katarina Mathernova, embaixadora da União Europeia na Ucrânia, em uma publicação nas redes sociais. Um drone russo destruiu parcialmente o prédio de um canal de televisão ucraniano em Kiev, afirmou o presidente Volodimir Zelenski.

Ao menos 19 pessoas ficaram feridas, segundo balanço das autoridades.

O alerta aéreo de mísseis, acionado durante a noite juntamente com a ordem para que a população se dirigisse aos abrigos, foi suspenso no início da manhã. O Exército da vizinha Polônia também colocou sua Força Aérea em alerta.

Este ataque russo é o primeiro contra a capital ucraniana após o fim de uma trégua recíproca anunciada por Moscou e Kiev durante a visita dos enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner. A viagem faz parte dos esforços do presidente Donald Trump para encerrar o conflito, que já dura quatro anos e meio.

Os países haviam suspendido os ataques contra suas respectivas capitais por três dias para garantir a segurança dos negociadores.

Nesta terça, Zelenski afirmou que os enviados da Casa Branca apresentaram várias “boas ideias” durante as conversas, sem dar detalhes. O presidente ucraniano afirmou que planeja se reunir com Trump no fim deste mês para discutir um pacote de apoio à defesa aérea para o inverno.

Ainda de acordo com Zelenski, uma nova reunião entre negociadores russos, ucranianos e americanos também poderá ocorrer ainda este mês. Os esforços diplomáticos para pôr fim à guerra estavam paralisados há meses, e Zelenski disse ser grato aos EUA por suas tentativas de reativar a diplomacia.

Em paralelo, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sibiha, criticou o fato de a Rússia ter lançado o ataque logo após a partida dos representantes da Casa Branca.

Ele pediu aos aliados que aumentassem a pressão sobre Moscou e também fornecessem interceptadores capazes de derrubar mísseis balísticos, já que os estoques de Kiev desses sistemas haviam chegado a níveis criticamente baixos.

O Reino Unido anunciou nesta terça que destinará £ 100 milhões (R$ 693 milhões) à Ucrânia para ajudar a reforçar seu pacote de defesa aérea para o inverno, fornecendo mísseis Patriot, projéteis de artilharia de grosso calibre e drones para ajudar a repelir ataques da Rússia. A Alemanha também anunciou que enviará mísseis de defesa aérea.

Antes das conversas, a Rússia havia intensificado os ataques aéreos contra Kiev e áreas próximas, passando a realizá-los quase ininterruptamente, em vez de principalmente à noite, utilizando drones mais rápidos, movidos a jato.

O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que atingiu alvos militares e logísticos em Kiev e na região ao redor, bem como no porto de Chornomorsk, no mar Negro, segundo agências de notícias russas.

Witkoff e Kushner reuniram-se no sábado com Vladimir Putin em Moscou e, posteriormente, viajaram pela primeira vez a Kiev no domingo, onde se encontraram com Zelenski. Representantes europeus participaram dessas negociações em Kiev.

Na segunda-feira, o Kremlin anunciou que “não descarta” a retomada das conversas trilaterais, embora o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, tenha afirmado que “ainda é cedo demais para falar sobre o local e as datas exatas”.

Nas negociações anteriores, Moscou e Kiev mantiveram, de modo geral, suas posições, e as discussões ficaram paralisadas especialmente em torno da questão dos territórios do leste da Ucrânia, cuja anexação é reivindicada pela Rússia.

Expulsão de diplomatas na Hungria

A Hungria expulsou dez diplomatas russos nesta terça-feira, afirmando que eles haviam agido de maneiras incompatíveis com sua condição diplomática. A decisão do governo do premiê Péter Magyar é um claro sinal de que a era pró-Rússia do ex-primeiro-ministro Viktor Orbán chegou ao fim.

A Rússia disse que iria retaliar contra o que classificou como um “gesto extremamente hostil”.

Orbán, que perdeu o poder na Hungria em abril após 16 anos no cargo, manteve relações estreitas com o presidente Putin mesmo depois que a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022.

Durante seu governo, a Hungria continuou comprando petróleo e gás russos, dificultou a adoção de sanções da União Europeia contra Moscou e bloqueou um empréstimo bilionário da UE para a Ucrânia.

Depois que a Rússia invadiu a Ucrânia, muitos países europeus expulsaram dezenas de diplomatas russos, enquanto a Hungria não expulsou nenhum. Até esta terça-feira, o país não havia enviado nenhum diplomata russo de volta publicamente desde 2018.

Magyar e seu governo de centro-direita têm afirmado repetidamente que as principais alianças da Hungria são a União Europeia e a Otan.

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/russia-retoma-ataques-contra-kiev-apos-tres-dias-de-tregua.shtml

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