Operadores estão reduzindo suas expectativas de cortes na taxa de juros este ano pelo Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA) diante dos temores de que os efeitos inflacionários do aumento nos preços da energia compliquem a trajetória da política monetária do país.
O preço do petróleo bruto chegou a subir 9% nesta terça-feira (3) e atingiu o maior valor desde julho de 2024, à medida que o conflito entre os EUA e Israel com o Irã se intensifica, interrompendo o transporte de combustíveis pelo estreito de Hormuz e aumentando os temores de novas interrupções no fornecimento de petróleo e gás do Oriente Médio.
Os contratos futuros indicam uma probabilidade de 30,7% de um corte de pelo menos 25 pontos-base na taxa de juros em junho, abaixo dos 49,6% da semana passada e dos mais de 56% de um mês atrás, segundo a ferramenta CME FedWatch.
Na semana passada, os operadores esperavam que junho fosse o mês em que o Fed retomasse seu ciclo de cortes após a última redução em dezembro, mas agora veem uma chance de 47,2% de um corte em julho. Na reunião de janeiro, a taxa foi mantida entre 3,5% e 3,75%.
Analistas do Goldman Sachs estimaram em uma nota na segunda-feira que um aumento sustentado de 10% nos preços do petróleo eleva o núcleo do índice de preços ao consumidor em 4 pontos-base e o número cheio em 28 pontos-base.
Os operadores espera um afrouxamento monetário de cerca de 42 pontos-base até dezembro, o que implica um corte de 25 pontos este ano, com um segundo ainda incerto.
O aumento dos preços do petróleo pode acirrar as preocupações com a inflação, uma vez que eleva rapidamente os custos da gasolina e do transporte, levando a preços mais altos para bens e serviços.
A ata da reunião de política monetária do banco central em janeiro mostrou um comitê dividido, com “vários” membros abertos a aumentos nos juros se a inflação permanecer alta, enquanto outros se mostraram inclinados a apoiar novos cortes se a inflação recuar como esperam.
O banco central dos EUA deve manter a taxa de juros em março, após três cortes em 2025.
