A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, renovou, em coletiva de imprensa ao lado do primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, afirmou que a União Europeia está elaborando “planos detalhados” para possíveis mobilizações militares na Ucrânia, segundo o Financial Times. A medida é parte das garantias de segurança pós-conflito, que contarão com o pleno respaldo das capacidades dos Estados Unidos.
Segundo ela, os planos em discussão envolvem “uma implementação multinacional de tropas com apoio americano”. Von der Leyen acrescentou que o presidente Donald Trump garantiu a presença dos EUA no mecanismo de proteção, reforçando reiteradas vezes esse compromisso. “Isso ficou muito claro e foi reiterado repetidamente.”
A presidente da Comissão Europeia fez as declarações durante uma visita aos países do leste da União Europeia, próximos à Rússia, onde reforçou a importância de ampliar os investimentos em defesa nacional e fortalecer a prontidão militar do
Segundo ela, o trabalho avança de forma coordenada e deve ganhar destaque na reunião de líderes europeus marcada para esta semana, quando serão firmados compromissos nacionais de apoio à força ocidental. Segundo o Financial Times, todos que se encontraram com Trump em Washington devem se reunir em Paris na quinta-feira, 4, a convite do presidente francês Emmanuel Macron, para continuar as discussões.
Entre eles estão o chanceler alemão Friedrich Merz, o primeiro-ministro britânico Sir Keir Starmer, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, e von der Leyen.
A presidente da Comissão Europeia fez duras críticas ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, e reiterou a necessidade de a União Europeia (UE) reforçar suas defesas.
“Temos de manter o senso de urgência porque sabemos que Putin não mudou e não mudará. Ele é um predador”, afirmou, acrescentando que nos últimos 25 anos ele iniciou quatro guerras — Chechênia, Geórgia, Crimeia e Ucrânia. “Sabemos, por experiência, que ele só pode ser contido por meio de uma forte dissuasão”, disse.
Von der Leyen destacou que os países precisam ser “coordenados, precisos e rápidos” com o aumento da defesa, principalmente nos Estados de linha de frente. Ela afirmou que os Estados-membros da UE com fronteira direta com a Rússia e Belarus receberão financiamento adicional da União Europeia.
A presidente da Comissão Europeia também afirmou que nas próximas semanas será preparado um roteiro sobre como investir o dinheiro adicional para defesa na União Europeia, na postura de defesa. “Analisaremos as lacunas que temos na União Europeia e como preenchê-las até 2030 com metas, com marcos, porque só o que é medido é feito”.
Ela terminou o discurso dizendo que a Europa tem de ser forte na postura de defesa. “Temos de investir na proteção das nossas fronteiras, mas também em capacidades militares e em forças armadas bem equipadas e treinadas, o mesmo se aplica às garantias de segurança para a Ucrânia”, afirmou.
Reuniões não cessam ataques
Em meados do mês, uma série de reuniões entre o presidente americano Donald Trump, Putin, Zelenky e representantes da União Europeia tentaram pôr fim à guerra na Ucrânia. O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, foi a Moscou em 6 de agosto para se encontrar com o presidente russo, Vladimir Putin. Putin foi ao Alasca para se encontrar com o presidente Donald Trump. O presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, e vários líderes europeus foram à Casa Branca na segunda-feira para se encontrar com Trump. Mas até agora não há avanços significativos.
No sábado, 30, a Rússia lançou um ataque em massa contra o sul da Ucrânia, dois dias depois de um bombardeio à região central de Kiev que matou 23 pessoas e atingiu escritórios da União Europeia, em meio ao impasse das tentativas lideradas pelos Estados Unidos de encerrar a guerra que já dura três anos.
Paralelamente, a Ucrânia manteve ataques a refinarias de petróleo em território russo. Uma das instalações atingidas fica em Krasnodar, sul da Rússia, região que também abriga uma luxuosa mansão conhecida como “palácio de Putin”, atribuída por opositores ao presidente russo Vladimir Putin. O vínculo é negado pelo Kremlin.
Zelensky publicou em sua conta na rede social X um relatório do chefe do Exército do país, Oleksandr Syrskyi, que indica que as tropas ucranianas seguirão com operações de defesa e ataque. “Continuaremos nossas operações ativas exatamente da maneira necessária para a defesa da Ucrânia. As forças e os recursos estão preparados. Novos ataques em profundidade também foram planejados”, diz.
Em outra postagem, Zelensky ressaltou que os dois ataques em grande escala feitos pela Rússia na última semana demonstram que “sem pressão do mundo, não haverá fim para a guerra”. “E estes são sinais claros para os Estados Unidos, para a Europa e para os líderes que nestes dias estão na China e se encontrarão com Putin”, comentou, se referindo à cúpula da Organização de Cooperação de Xangai.
“Putin está apenas enganando os líderes e atraindo-os para seu campo. E ele está evitando a ameaça de sanções. Nada mais o interessa. É importante que juntos pressionemos a Rússia a acabar com esta guerra”, ressaltou.
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