Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia assinarão na terça-feira, 22, o acordo sobre a segurança da ilha, informou nesta segunda-feira, 21, o gabinete da primeira-ministra dinamarquesa.
O pacto será assinado por Trump, pelo primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, e pela primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, no edifício da ONU, às 10h30 (11h30 no horário de Brasília) de terça-feira.
No início do ano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocou uma crise com seus aliados europeus ao ameaçar tomar o território autônomo dinamarquês no Ártico, uma região estratégica e rica em recursos naturais.
Trump afirmou na sexta-feira, 18, que o texto concede aos Estados Unidos “controle permanente” sobre a segurança da Groenlândia. O Departamento de Estado informou que o acordo impede a instalação de bases russas e chinesas na ilha.
A primeira-ministra dinamarquesa declarou nesta segunda-feira, 21, a veículos de comunicação do país que o pacto “reconhece” a soberania do reino e o direito do povo groenlandês à autodeterminação.
Em entrevista à rádio DR, diretamente de Nova York, Frederiksen afirmou que o acordo “é bom do ponto de vista dinamarquês”. Segundo ela, o pacto beneficia os países nórdicos, reforça a segurança na região do Ártico e também é favorável à Otan e à Europa.
“É algo com que estamos de acordo com os americanos há muito, muito tempo: a região do Ártico e o Atlântico Norte constituem uma área de defesa importante para todos os membros da aliança da Otan”, acrescentou Frederiksen.
Trump afirmou na semana passada que as negociações também estabeleceram que nenhum país considerado adversário dos Estados Unidos poderá fazer investimentos em setores sensíveis da Groenlândia sem o consentimento americano.
Dinamarca e Groenlândia adotam cautela
No último sábado, 19, o governo dinamarquês mostrou-se cautelosamente otimista em relação ao anúncio de Donald Trump sobre um acordo relativo à Groenlândia para reforçar a presença militar dos EUA na ilha, mas mantê-la sob controle dinamarquês, após meses de ameaças do presidente americano de tomar o território semiautônomo de um aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Na Groenlândia, o principal diplomata da ilha ártica fez coro com essa posição e afirmou que o acordo já vinha sendo negociado há muito tempo.
Trump afirmou na sexta-feira que o acordo daria aos Estados Unidos “controle permanente sobre a segurança e todas as outras necessidades na Groenlândia, atendendo completamente a TODAS as nossas muitas preocupações americanas”.
Os EUA mantiveram por muito tempo diversas bases e instalações no território ártico durante a Guerra Fria, antes de reduzirem sua presença.
A base ainda opera a remota Base Espacial de Pituffik, no noroeste da Groenlândia, construída após os EUA e a Dinamarca assinarem o Tratado de Defesa da Groenlândia em 1951. Ela oferece suporte a operações de alerta de mísseis, defesa antimíssil e vigilância espacial para os EUA e a Otan.
Detalhes ainda não são revelados
Um funcionário do Departamento de Estado dos EUA afirmou que o acordo proíbe qualquer base não pertencente à Otan na Groenlândia, limita a capacidade de adversários de fazerem investimentos na ilha e garante que a China e a Rússia não possam ter uma base no país. O funcionário falou sob condição de anonimato.
Autoridades dos Estados Unidos, da Groenlândia e da Dinamarca negociaram discretamente durante meses, buscando soluções para algumas das preocupações de segurança de Trump em relação a um território com cerca de 56.000 habitantes.
A Dinamarca e a Groenlândia afirmaram repetidamente que a ilha não está à venda e condenaram as notícias de que os EUA estariam coletando informações no local. A investida dos EUA na Groenlândia também foi fortemente contestada pela Rússia e por grande parte da Europa.
A ativista pró-soberania Orla Joelsen, da Groenlândia, escreveu no X que “nossa luta contra a ambição de Trump de tomar o controle da Groenlândia foi vencida”.
“O novo acordo reconhece explicitamente a soberania e a integridade territorial do Reino da Dinamarca e o direito do povo da Groenlândia à autodeterminação”, acrescentou a ativista. (Com informações da AFP e AP)
