EUA autorizam temporariamente entrega e venda de petróleo do Irã

Os Estados Unidos concederam nesta sexta-feira (20) uma autorização de 30 dias para a entrega e venda de petróleo bruto e derivados de petróleo de navios carregados com óleo do Irã, de acordo com o Departamento do Tesouro dos EUA.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que a licença vale apenas para petróleo que já está em trânsito e não permite novas compras ou produção. “Ao liberar temporariamente essa oferta existente para o mundo, os Estados Unidos colocarão rapidamente aproximadamente 140 milhões de barris de petróleo nos mercados globais”, acrescentou Bessent em um post na rede social X.

Ele afirmou que a medida “usa barris iranianos contra Teerã” para conter preços. O secretário ressaltou que regime iraniano terá dificuldade em acessar qualquer receita gerada pela medida e que Washington manterá pressão máxima sobre o Irã e sua capacidade de acessar o sistema financeiro internacional.

A licença segue uma suspensão semelhante de sanções sobre petróleo russo em alto-mar. A autorização também não se aplica a entregas de petróleo para Cuba, Coreia do Norte ou áreas da Ucrânia ocupadas pela Rússia.

A licença, publicada no site do Departamento do Tesouro após o fechamento do mercado, afirma que o petróleo iraniano pode ser importado para os Estados Unidos sob a isenção quando necessário para concluir sua venda ou entrega.

Os EUA não importam petróleo iraniano de forma significativa desde que o governo impôs medidas após a revolução de 1979. Não está claro se algum petróleo iraniano acabaria chegando ao país como resultado da isenção.

Espera-se que a medida beneficie a Ásia, principal compradora de petróleo do Oriente Médio. O secretário de Energia, Chris Wright, disse que os suprimentos podem chegar à Ásia em três ou quatro dias e entrar no mercado após serem refinados ao longo do próximo mês e meio.

Refinarias chinesas independentes têm sido as principais compradoras de petróleo iraniano sancionado, aproveitando grandes descontos enquanto outros evitavam tais compras. Índia, Coreia do Sul, Japão, Itália, Grécia, Taiwan e Turquia também eram grandes compradores de petróleo bruto iraniano antes de as sanções americanas serem reimpostas em 2018.

TENTATIVA DE CONTER PREÇOS

A medida é adotada após mais uma disparada de preços da commodity por causa da guerra no Irã. Nesta quinta (19), o barril Brent, referência global, atingiu US$ 119 pela segunda vez após o início do conflito após ataques de Israel ao campo de gás de Pars Sul, responsável por 70% da produção de GNL (gás natural liquefeito) no Irã, seguido do revide iraniano com bombardeios à refinaria de Ras Laffan, no Qatar, que fornece 20% da produção mundial de GNL.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que exigiu que o governo israelense não voltasse a atacar Pars Sul, mas ameaçou que contra-atacaria eventuais ataques do Irã às instalações do Qatar. Após a declaração, os preços diminuíram e a situação prosseguiu nesta sexta, já que não houve novos registros de ataques aos campos de gás.

Apesar da promessa, Trump reforçou as tropas para uma eventual invasão terrestre no Irã ao enviar um segundo grupo expedicionário de fuzileiros navais para o Oriente Médio. A flotilha com três navios de guerra carregando 4.000 marinheiros, 2.500 deles fuzileiros para ações em terra, deixou o porto de San Diego (Califórnia) na quinta-feira com destino ao golfo Pérsico.

O petróleo chegou a disparar novamente nesta sexta, e fechou cotado a US$ 108,20, completando duas semanas consecutivas com o barril Brent acima de US$ 100. Países ao redor do mundo estão sofrendo com a crise de abastecimento e tomando decisões para tentar minimizar os impactos da alta de preços.

Os preços do petróleo subiram cerca de 50% desde que os EUA e Israel lançaram seus ataques em 28 de fevereiro.

“Este é o pior cenário possível, não só temos força maior no Iraque, mas também um número significativo de tropas sendo reunidas pelos EUA no Golfo Pérsico, as esperanças de uma resolução rápida e o retorno do fornecimento ao mercado global através do estreito de Hormuz estão desaparecendo diante de nossos olhos”, disse John Kilduff, sócio da Again Capital.

Para o analista de energia Brett Erickson, diretor-gerente da Obsidian Risk Advisors, as medidas do governo dos EUA não terão impacto significativo até que Hormuz seja liberado para transporte marítimo.

“A flexibilização das sanções levanta preocupações sobre o rápido esgotamento do arsenal econômico de Washington” para conter os preços do petróleo, disse Erickson. “Se chegamos ao ponto de afrouxar sanções contra o país com o qual estamos em guerra, estamos realmente ficando sem opções”, disse

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/03/eua-autorizam-temporariamente-entrega-e-venda-de-petroleo-do-ira.shtml

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