A China não se desviará de seu compromisso de proteger interesses comuns com a Coreia do Norte nem enfraquecerá seu apoio a Kim Jong Un, disse o presidente chinês, Xi Jinping, ao líder norte-coreano nesta segundafeira (8) durante uma rara cúpula bilateral.
Os dois vizinhos devem fortalecer seus laços estratégicos e proteger firmemente sua soberania, segurança e interesses de desenvolvimento, disse Xi a Kim, segundo um resumo oficial chinês da reunião, em um momento em que Pequim busca estreitar novamente os laços com Pyongyang.
A visita de dois dias de Xi, sua primeira à Coreia do Norte em sete anos, ocorre em um contexto em que a economia norte-coreana, fortalecida pelo crescimento do comércio e da cooperação militar com a Rússia, pode aumentar a confiança de Kim nas negociações internacionais.
“Estou profundamente satisfeito e também sinto uma proximidade especial”, disse Xi a Kim durante sua primeira viagem internacional de 2026.
Independentemente das mudanças no cenário internacional, Xi reafirmou que a China continuará atribuindo grande valor à amizade tradicional com a Coreia do Norte, segundo o comunicado.
“O firme apoio à liderança do camarada secretário-geral Kim Jong Un na causa socialista da RPDC [República Popular Democrática da Coreia] não mudará, e a firme determinação de proteger interesses comuns e um ambiente estratégico favorável (..) não mudará”, afirmou Xi.
O líder chinês foi recebido com tapete vermelho por Kim e sua esposa, Ri Sol Ju, além de uma guarda de honra. Crianças entregaram buquês de flores ao visitante, mostraram imagens da mídia estatal chinesa.
Uma salva de 21 tiros foi disparada na Praça Kim Il Sung, em Pyongyang, palco tradicional de desfiles militares e celebrações oficiais. Segundo a agência Xinhua, espectadores reunidos sob enormes retratos dos líderes entoavam slogans e soltavam balões.
As relações bilaterais estão em um “novo ponto de partida histórico”, afirmou Xi mais cedo, defendendo o fortalecimento da cooperação em áreas como diplomacia, segurança, forças armadas, agricultura, comércio, tecnologia e construção.
“Ativo estratégico”
Xi também pediu a Kim que os dois países se unam para “se opor à hegemonia, ao autoritarismo e a todas as tentativas e conspirações de ressuscitar o militarismo que ameaçam a segurança e a estabilidade regionais”, , segundo declarações publicadas pela imprensa estatal nortecoreana.
“A cúpula Xi-Kim é um lembrete de que Pequim ainda vê Pyongyang como um ativo estratégico”, “, afirmou Craig Singleton, pesquisador sênior da Foundation for Defense of Democracies.
Segundo ele, China, Coreia do Norte, Rússia e Irã compartilham o interesse de conter a influência dos Estados Unidos e enfraquecer suas alianças.
“Esta visita serve para manter viva uma tradição em condições muito diferentes daquelas da última viagem”, escreveu John Delury, pesquisador sênior da Asia Society, em publicação na rede X.
Xi também prometeu trabalhar com a Coreia do Norte para promover um multilateralismo “justo e ordenado” e uma globalização econômica “inclusiva”, “, destacando a paz e a estabilidade regionais de longo prazo como objetivo comum.
Bandeiras chinesas e norte-coreanas foram exibidas ao longo das principais avenidas de Pyongyang, segundo imagens divulgadas pela Xinhua.
Xi é acompanhado pela primeira-dama Peng Liyuan, pelo chefe de gabinete Cai Qi, pelo chanceler Wang Yi, pelo ministro da Defesa Dong Jun e pelo ministro do Comércio Wang Wentao.
No ano passado, Xi recebeu Kim e outros líderes estrangeiros em um grande desfile militar em Pequim, ao lado do presidente russo, Vladimir Putin.
Desde então, Pyongyang retomou a circulação pela fronteira com a China e ampliou intercâmbios interrompidos durante a pandemia de Covid-19. Em março, a Air China retomou os voos entre as capitais dos dois países.
Xi disse a Kim que ambos deveriam aproveitar a restauração dessas conexões para “expandir os intercâmbios entre os povos”.
“A sustentabilidade da aproximação entre Coreia do Norte e Rússia, bem como o aumento das relações entre Coreia do Norte e China, pode influenciar por quanto tempo Kim conseguirá continuar ignorando Washington e Seul”, avaliou Sydney Seiler, do Center for Strategic and International Studies (Csis).
Na véspera da chegada de Xi, Pyongyang procurou demonstrar força ao revelar planos para um destróier naval de 10 mil toneladas e reafirmar seu status de potência nuclear.
Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri), a Coreia do Norte provavelmente possui cerca de 60 ogivas nucleares, ante aproximadamente 50 há um ano.
O instituto também estima que o país esteja ampliando a produção de material físsil para um nível suficiente para fabricar pelo menos mais 30 ogivas nucleares.
