Um drone russo atingiu um trem de passageiros na fronteira da Ucrânia com a Polônia, país membro da Otan. O ataque ocorreu pouco depois de o ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson e outros diplomatas europeus terem usado a mesma linha ferroviária.
O trem, usado com frequência por delegações estrangeiras no caminho de Kiev em razão do espaço aéreo ucraniano fechado pela guerra, foi atacado a apenas dois quilômetros da fronteira polonesa, informou a operadora ferroviária da Ucrânia.
Não houve registro de vítimas.
“Não era o nosso trem, mas o que vinha apenas alguns minutos depois de nós, perto da passagem de fronteira. Ele foi evacuado quando o drone se aproximou e ninguém ficou ferido”, escreveu Carl Bildt, ex-primeiro-ministro da Suécia, no X.
Ele e outros políticos estavam retornando de Kiev após participarem de uma conferência na cidade.
“É inteiramente possível que o alvo pretendido pelo drone russo fosse o trem diplomático, que partiu da estação antes do horário previsto depois que os horários dos trens foram ajustados em tempo real devido à ameaça constante de ataques russos”, afirmou a operadora ferroviária ucraniana, Ukrzaliznytsia, no Telegram.
Boris Johnson chamou o episódio de “aleatório e sem sentido” em uma publicação no Instagram.
Moscou e Kiev intensificaram nas últimas semanas os ataques de longa distância. O ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radoslaw Sikorski, chamou o aumento dos ataques russos às portas da Otan como “uma escalada”.
Mais cedo neste domingo, um caminhão a menos de um quilômetro da fronteira da Ucrânia com a Polônia também foi atingido, levando o posto de passagem de Dorohusk-Yahodyn a interromper brevemente suas operações, segundo os guardas de fronteira.
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que tinha como alvo infraestrutura ucraniana que facilita o transporte de cargas militares provenientes da Europa, no oeste da Ucrânia.
A Rússia reforçou, nas últimas semanas, ataques a locais próximos da fronteira da Ucrânia com seus aliados como parte de uma campanha cada vez mais intensa contra a infraestrutura econômica do adversário, mais de quatro anos após o início da invasão russa.
No sudeste da Ucrânia, controlada pela Rússia, o chefe da empresa estatal nuclear russa Rosatom acusou a Ucrânia de atacar caminhões de combustível perto da usina nuclear de Zaporíjia, a maior da Europa.
A usina está sob controle russo desde março de 2022 e continua próxima à linha de frente. Um porta-voz do Exército ucraniano não respondeu a pedidos de comentário.
Na Rússia, o prefeito de Nizhnekamsk, na região do Volga, no Tartaristao, afirmou que drones ucranianos atingiram alvos “civis e industriais” na cidade. Pelo menos duas pessoas morreram e várias ficaram feridas.
Ele não esclareceu quais alvos haviam sido atingidos, mas a cidade abriga uma importante refinaria de petróleo que já foi atacada anteriormente. As autoridades ucranianas não comentaram de imediato o ataque a Nizhnekamsk, mas afirmaram ter atingido outra refinaria na região de Krasnodar, no sul da Rússia.
