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Califórnia é trampolim democrata para reaver controle do Congresso

Na principal noite de primárias antes das eleições legislativas dos EUA, em novembro, democratas na Califórniarespiraram aliviados.
Além de assegurar o ex-prefeito de San Francisco Gavin Newsom como um dos concorrentes ao governo do estado, o partido conseguiu emplacar candidatos na maior parte das disputas para o Legislativo —e eles devem ser a principal aposta da legenda para retomar a maioria no Congresso americano.
O avanço dos democratas da Califórnia à fase decisiva de votação não era fato consumado porque, nesse estado, credenciam-se para a eleição final os dois mais votados, independentemente do partido.
Por exemplo, uma pulverização do voto democrata entre vários pré-candidatos da agremiação ao governo estadual poderia selar a passagem de dois republicanos para o duelo de novembro. Não à toa, fala-se na Califórnia em “primárias da selva”.
A probabilidade de os democratas se anularem em algumas disputas cresceu por causa do “boom” de pré-candidaturas na legenda. A onda foi impulsionada pela rejeição a Donald Trump, por defensores de direitos humanos e imigrantes e por mulheres motivadas pelo movimento #MeToo, de combate ao assédio e à violência sexuais.
Em alguns casos, até oito democratas concorriam a vagas no escrutínio decisivo. A cúpula partidária intercedeu pontualmente, aumentando os gastos com os nomes considerados mais fortes.
“Eles [os democratas] passaram nesse teste, mas isso não necessariamente vaticina o futuro”, afirma Kyle Kondik, do Centro para Política da Universidade da Virgínia.
A Califórnia é o mais populoso estado americano e vota tradicionalmente em democratas, sendo por isso central na estratégia do partido.
Atualmente, os republicanos têm maioria no Congresso, o que dá ao governo do presidente Donald Trump uma significativa vantagem para aprovar leis e projetos de seu interesse. Mas, nas eleições de novembro, todas as 435 cadeiras da Câmara estarão em jogo —o que pode inverter o jogo de forças no Capitólio.
Dos 25 assentos que os democratas precisam para virar a Câmara a seu favor, sete dos mais propensos a ter ocupantes democratas na próxima legislatura estão na Califórnia. São distritos em que Hillary Clinton venceu nas últimas eleições e onde o republicano que detém o cargo não irá concorrer à reeleição.
O Partido Democrata apostou alto: gastou cerca de US$ 7 milhões (R$ 26,7 milhões) em campanha nas últimas semanas no estado, alardeou candidaturas que considerava competitivas e centrou fogo em republicanos que concorriam a posições-chave.
Até a noite desta quarta (6), os resultados da Califórnia eram parciais, já que muitos eleitores votam por correio.
Ainda assim, os estrategistas democratas comemoravam o fato de, nas sete principais disputas para a Câmara, ao menos um nome do partido ter garantido presença nas cédulas em novembro.
Democratas fizeram campanha falando de planos de saúde pública, subsídio à moradia e proteção a imigrantes.
É uma disputa retórica direta com candidatos apoiados pelo presidente, que também tem seu eleitorado no estado (onde fez 31% dos votos em 2016) e tem se engajado nas primárias por meio de comícios, eventos públicos e, é claro, das redes sociais.
“O efeito Trump foi muito, muito maior do que imaginávamos. Estamos trabalhando duro para que seja uma onda vermelha [cor do Partido Republicano]!”, escreveu o presidente nesta quarta.
As eleições estão marcadas para o dia 6 de novembro.

Entenda a pré-eleição
O que são as primárias? Processo de escolha dos candidatos que disputarão as eleições, dentro de cada partido. Os eleitores vão às urnas e votam em seu preferido, de acordo com o partido de preferência
Por que a Califórnia é diferente? As primárias do estado colocam na disputa os dois candidatos mais votados, independentemente de partido
Quando será a eleição? No dia 6 de novembro
Que cargos estarão em disputa? Todas as cadeiras da Câmara, 35 do Senado e 36 governos estaduais.

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/06/california-e-trampolim-democrata-para-reaver-controle-do-congresso.shtml

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