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Nos EUA, Elizabeth Warren cresce e tira favoritismo de Biden

Elizabeth Warren, senadora de Massachusetts, cresceu e alcançou Biden na média das pesquisas nacionais compiladas pelo site Real Clear Politics. Ela aparece à frente nas primárias de Iowa, as primeiras de 2020
Por quase seis meses, o ex-vice-presidente Joe Biden foi, indiscutivelmente, o líder na corrida entre os democratas para enfrentar Donald Trump na eleição presidencial do próximo ano. Não mais.
Elizabeth Warren, senadora de Massachusetts, cresceu e alcançou Biden na média das pesquisas nacionais compiladas pelo site Real Clear Politics. Elizabeth aparece ainda à frente nas primárias de Iowa, as primeiras de 2020.
No início do mês, sua campanha anunciou que ela havia levantado US$ 24,6 milhões no terceiro trimestre deste ano, quase os US$ 25,3 milhões arrecadados pelo rival Bernie Sanders – que disse que “mudará” sua campanha depois de ter sofrido ataque cardíaco – e muito mais do que os US$ 15,2 milhões conseguidos por Biden.
Paralelamente, os eventos de campanha de Elizabeth continuam crescendo. Em setembro, 20.000 pessoas lotaram o Washington Square Park de Nova York para ouvi-la falar. Após o comício, ela ficou mais de quatro horas tirando fotos com apoiadores.
O apoio que ela tem na ala de esquerda dos democratas tem crescido de forma sustentada. Mas pesquisas recentes indicam que ela também está conquistando os mais moderados. A última pesquisa da Morning Consult mostra que Elizabeth é a “segunda opção” para apoiadores de Biden, da senadora da Califórnia Kamala Harris e do prefeito de South Bend, Indiana, Pete Buttigieg. Kamala e Buttigieg viram sua popularidade crescer, mas voltaram a ter um dígito na maioria das pesquisas.
“Sua ascensão não foi um boom, mas uma construção. Lenta e constante”, disse Jesse Ferguson, estrategista que foi secretário de imprensa na campanha presidencial de Hillary Clinton em 2016. “Ela subiu porque um número crescente de pessoas a vê como uma candidata autêntica e com planos.”
Mary Anne Marsh, estrategista democrata de Boston, disse: “Elizabeth Warren é metódica e disciplinada, capaz de inspirar com seus planos, sua mensagem e sua história de vida. Ela fala de uma maneira que as pessoas entendem porque ela também passou por problemas semelhantes aos delas.”
Antonia Felix, que publicou uma biografia de Elizabeth em 2018, disse que a senadora conta uma história convincente. “Ela não foi educada na Ivy League (grupo formado pelas oito universidades de maior prestígio dos EUA), não é uma liberal da costa leste. Ascendeu por conquistas próprias.”
A narrativa de Elizabeth sobre seu caminho pouco ortodoxo, da estudante de Oklahoma e o abandono da faculdade aos 19 anos até se tornar professora em Harvard tem sido um pilar em seu discurso.
Mas também a expõe a críticas. Na semana passada, o site conservador Washington Free Beacon disse que não havia evidências de que ela havia sido demitida quando era professora de escola pública nos anos 1970 por estar grávida.
A senadora manteve sua posição, dizendo no Twitter: “Isso foi em 1971, anos antes de o Congresso proibir a discriminação na gravidez – mas sabemos que isso ainda acontece de maneiras sutis e não tão sutis”, acrescentou.
Para Mary Anne, é improvável que as acusações prejudiquem a campanha. “Não há uma mulher que não tenha vivenciado isso ou não conheça alguém que tenha”, disse. “Veja como as mulheres responderam de forma visceral.”
Analistas políticos afirmam, no entanto, que Elizabeth provavelmente enfrentará novas críticas, não apenas da mídia, mas também de colegas candidatos, se continuar à frente nas pesquisas.
Stephanie Cutter, estrategista democrata que serviu como vice-gerente da campanha de Barack Obama em 2012, disse: “Se você é o segundo ou o terceiro na corrida pode escapar, mas assim que chega ao topo a marcação começa. Estamos perto de ver isso acontecer.”

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