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Empresas chinesas cortam projeção de lucros devido a guerra comercial

Numa indicação preocupante sobre a saúde da economia da China, de 1,6 mil empresas que divulgaram projeções de lucros para o primeiro semestre, 40% preveem uma queda dos lucros em relação a um ano atrás, segundo dados compilados pela Bloomberg. É o maior percentual de empresas que informam queda dos lucros, prejuízos maiores ou guinadas em direção ao prejuízo desde 2016.
A Congqing Changan Automobile prevê um prejuízo de nada menos que 2,6 bilhões de yuans (US$ 378 milhões) devido à queda das vendas. A Shenyang Machine Tool responsabilizou a tensão comercial entre China e EUA pela expectativa de perda de 1,5 bilhão de yuans no primeiro semestre. As ações da Dong-E-E-Jiao, fabricante de remédios tradicionais chineses, sofreram a maior queda em dois dias desde 2015 após ter anunciado uma queda de 79% nos lucros obtidos no primeiro semestre.
Os alertas indicam a crescente preocupação por toda a economia, depois da mais lenta expansão da série histórica do PIB no segundo trimestre. Empresas de consumo e de mídia são as mais expostas à desaceleração, com expectativa de queda de 38% dos lucros somados desses dois setores em relação a igual período de 2018.
Embora os dados mostrem que mais da metade das empresas estime uma melhora dos lucros, os alertas ocorrem após a série de avisos emitidos no começo do ano sobre o resultado de 2018. “A apatia da economia deixou muitas empresas em má situação, e elas são incapazes de reverter a situação neste momento”, disse Sun Jianbo, da gestora de ativos China Vision Capital Management.
Pode ser que o pior ainda esteja por vir, na medida em que se aproxima o prazo final para as empresas divulgarem seus resultados do primeiro semestre, em agosto. Empresas que publicam projeções no começo do período de divulgação tendem a ter cifras melhores do que as que os fazem mais tarde, segundo o banco de investimento e corretora Pacific Securities.
Ações de elevado desempenho também enfrentam riscos maiores caso decepcionem. As da Kweichow Moutai, que acumulavam alta de 66% este ano, sofreram um baque depois que seu lucro do segundo trimestre ficou abaixo das expectativas. “Os lucros continuarão sendo a preocupação principal nos próximos meses”, disse Chen Li, economista-chefe da corretora Soochow Securities. “Qualquer marca aquém poderá desencadear uma grande correção das ações, principalmente das que registraram bom crescimento neste ano.”

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