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Robôs já ocupam vagas que exigem empatia

No museu de Milão um Androide com as feições de Leonardo Da Vinci será um simpático ‘funcionário’. Isto não é o pior. Como sabemos, o meme da “invasão dos robôs” se tornou alimento básico no mundo do livro. As tramas são conhecidas: robôs e computadores superinteligentes estão substituindo os seres humanos até mesmo nas tarefas mais complexas. Eles antecipam nossas necessidades e tomam decisões em nosso nome sem que nem mesmo percebamos. Fascinação e medo são as respostas naturais. Ficamos atônitos, ao contemplar nossa crescente irrelevância.

Agora chegou a hora da segunda parte da saga. Se estivéssemos em Hollywood, um bando determinado de desajustados se uniria para combater as máquinas. A humanidade, apesar de toda a sua imperfeição e de seus esforços ocasionalmente infrutíferos, sairia vencedora, como mostrou matéria do Financial Times, assinada por Richard Waters, publicada na Folha de São Paulo de 8/11.

No entanto, a narrativa que se desenrola na mais recente leva de livros sobre robôs não é tão simples. Não estamos no mundo de “Independence Day”, e as coisas certamente não voltarão a ser como um dia foram. Mas uma visão mais nuançada sobre o efeito que as máquinas inteligentes terão sobre o nosso mundo está tomando forma. É uma visão na qual o ser humano não é inteiramente sobrepujado, e na qual os homens continuarão acima das máquinas – desde que façamos as escolhas certas, e logo.

Em resumo, é mais que hora de recolocarmos o ser humano no futuro dos robôs. Quando o assunto é contemplar o futuro do trabalho, porém, essa não é uma tarefa fácil. Tentar acompanhar as capacidades rapidamente crescentes das máquinas é como tentar atingir um alvo móvel. A cada vez que alguém identifica características distintamente “humanas” que nos tornariam singulares, as máquinas não demoram a desenvolver poderes equivalentes.

Uma década atrás, Frank Levy, economista do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), previu que a capacidade de solução de problemas complexos colocaria o ser humano em vantagem diante das máquinas por ainda muito tempo. Hoje, essa afirmação parece melancolicamente otimista. O aprendizado mecânico –a mais recente manifestação da inteligência artificial, baseada em formas sofisticadas de reconhecimento de padrões– é capaz de desenvolver todas as estratégias flexíveis e avançadas de solução de problemas que o professor Levy tinha em mente. Todos pensamos, lá no fundo, que somos especiais. O assustador é que provavelmente não somos.

Em “The Future of Professions”, os autores, Richard e Daniel Susskind, pai e filho, desmantelam com impiedosa eficiência as ilusões que a maioria das pessoas entretêm ao se compararem com as máquinas.

Para profissionais como advogados, médicos e contadores, acreditar na excepcionalidade do ser humano é especialmente tentador. Muitos deles podem admitir, secretamente, que o conhecimento especializado que adquiriram com tamanho esforço em breve será equiparado pelas máquinas. Mas ainda gostam de acreditar que trazem algo mais ao trabalho que fazem. O julgamento pessoal e a adesão a um código de ética são traços que distinguem os profissionais liberais. Há também a importantíssima interação pessoal: os melhores assessores e especialistas sabem como antecipar as preocupações de seus clientes e sempre encontram as palavras certas.

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