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País ‘envelhece’ e ensino básico perde 5,1 milhões de alunos

A conta assusta. Em 14 anos, o Brasil reduziu em cerca de 7,2 milhões o número de crianças e adolescentes matriculados no ensino fundamental (6 a 15 anos de idade) das escolas da rede pública e privada de ensino. Ganhou, no entanto, 2,5 milhões de novas matrículas na educação infantil (creches e pré-escolas, para crianças de até 5 anos), e perdeu outras 360,9 mil no ensino médio (15 a 18 anos). No saldo líquido, a educação básica perdeu, entre 2000 e 2014, 5,1 milhões de alunos, segundo dados do Censo Escolar do Ministério da Educação.

A mudança no fluxo escolar abre espaço para que a gestão pública repense o modo de investir em educação, realocando recursos com mais foco em qualidade. As prioridades, passam por ampliar a oferta de ensino integral, selecionar melhores professores e recuperar os milhares de alunos que estão fora da escola no país, como mostrou materia assinada por Ligia Guimarães do Valor Econômico, de 24/09.

A redução no número de alunos foi mais expressiva nos anos iniciais do ensino fundamental, de 1a à 4a séries, onde a diminuição foi de 4,5 milhões de alunos no mesmo período. A mudança no fluxo das matrículas reflete a diminuição da população em idade escolar, fenômeno que deve continuar pelos próximos anos.

A projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é que, até 2030, a parcela da população entre 5 e 19 anos, faixa etária elegível para a educação básica, cairá de 52,9 milhões de pessoas para 41,5 milhões, redução de cerca de 20%. Patricia Mota Guedes, mestre em políticas públicas pela Universidade de Princeton e gerente da Fundação Itaú Social, afirma que esse cenário não abre espaço para fechar escolas ou reduzir os gastos em educação.

Outra “oportunidade” que surge com a transição demográfica é abrir caminho para recuperar os cerca de 2,8 milhões de crianças de 4 a 17 anos que estão fora da escola atualmente no Brasil, segundo dados do ministério.
Só em São Paulo, Estado em que houve redução de 1,8 milhão de alunos matriculados na rede estadual de ensino fundamental e médio, a estimativa é que haja 260 mil jovens de 15 a 17 anos fora da escola, de acordo com Rafael Camelo, assessor técnico da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade).

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