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Na corrida de apps para o carro, Hyundai cola na Apple

Depois de vários anos investindo na criação de software próprio para conectar aplicativos móveis a seus carros, a Hyundai Motor Co. está jogando a toalha, tornando-se a primeira grande montadora a adotar software de suas potenciais rivais Apple Inc. e Google, da Alphabet Inc.

Ela pode estar abrindo caminho para outras, dizem motoristas e pesquisadores da indústria. Novos compradores de automóveis mostram interesse em veículos que já vêm com o CarPlay, da Apple, e o Android Auto, da Alphabet. Esses sistemas controlam as telas do painel do carro que hoje fornecem informação e entretenimento aos motoristas – e talvez virem fontes de receitas com compras no future, como mostrou material do The Wall Street Journal, assinada por Mike Ramsey, publicada no Valor de 17/12 pg B9

O CarPlay e o Android Auto só começaram a ser instalados pelas montadoras recentemente, mas eles podem estar em 80% dos carros novos vendidos em 2022, prevê a firma de pesquisas IHS. O autotrader.com, um site especializado no setor, informa que 44% dos clientes que consultou nos Estados Unidos pagariam US$ 1.499 a mais para obter um carro com Android Auto ou CarPlay.

Tyler Theilken, um americano de 24 anos, instalou recentemente o CarPlay, da Apple, em seu jipe Wrangler usando um sistema da Alpine Electronics Inc. que comprou no mercado. A Fia t Chrysler Automobiles NV, dona da marca Jeep, oferece seu próprio sistema rival, o “UConnect”, e Theilken já havia usado o Sync, da Ford Motor Co.

“Não vejo como qualquer sistema interno do carro poderia ser melhor”, diz Theilken sobre o CarPlay. “Acho que, um dia, esses [sistemas feitos por montadoras] vão acabar.”

As montadoras hesitam em desistir dos links e sistemas de entretenimento de seus veículos, com a esperança de transformar a tecnologia dos painéis em uma razão para o consumidor escolher seu veículo na hora da compra e, potencialmente, gerar receita com a venda de informações e conectividade móvel.

Como resultado, vários fabricantes de automóveis continuam investindo muito dinheiro desenvolvendo seus próprios sistemas, ainda que, ao mesmo tempo, também ofereçam cada vez mais links para os sistemas da Apple ou do Google. A General Motors Co. e a Honda Motor Co., por exemplo, começaram recentemente a instalar o CarPlay como uma opção nos veículos novos, e ambas afirmam que o software está sendo bem recebido. O Android Auto estará disponível em breve nos seus modelos mais novos.

Jay Guzowski, gerente sênior de produtos da Honda nos EUA, diz que a montadora não pode desistir de seu próprio sistema, o HondaLink. “Nem todo mundo tem um telefone da Apple ou Android ou está interessado em começar a usar esse ambiente”, diz ele.

Outras montadoras, inclusive a Toyota Motor Corp., a maior do mundo em vendas, estão praticamente evitando os gigantes da tecnologia do Vale do Silício e confiando exclusivamente em seus próprios sistemas para manter uma ligação mais direta com os clientes.

Em parte, a Toyota e outras empresas afirmam que os sistemas da Apple e do Google não são a resposta certa para todos os compradores. Nem todo mundo é dono de um smartphone capaz de se conectar com o CarPlay ou Android Auto, e os sistemas de terceiros não podem ser usados em todos os mercados.

Em países como a China, os sistemas operacionais Android modificados que são usados nos telefones não funcionam com o Android Auto, e o iPhone, da Apple, não é tão amplamente utilizado como em outras partes do mundo. Além disso, os sistemas da Apple e o Android normalmente não se conectam com os botões no volante de um carro ou não funcionam bem em áreas com má recepção de celular. Os sistemas também não se conectam aos controles de aquecimento e ar-condicionado do carro.

Entregar pilhas de dados sobre os motoristas e seus hábitos na estrada à Apple ou ao Google também cria possíveis riscos, uma questão que vem sendo discutida entre executivos da indústria automobilística.

“Nós estamos competindo por informação dentro do veículo”, diz Don Butler, diretor de veículos conectados da Ford Motor. A empresa americana lançou o primeiro sistema Sync, que executa apps e envia e recebe mensagens de texto através da ativação de voz, em seus modelos 2008.

A Ford desenvolveu uma linguagem de código aberto para aplicativos e agora está tentando convencer outros fabricantes de automóveis a utilizá-la para que não tenham que desenvolver sua própria conexão para serviços populares de música on-line, como o Spotify e o Pandora.

Há evidências de que as montadoras enfrentam uma tarefa difícil para evitar que seus clientes as abandonem em favor dos sistemas rivais. O reconhecimento de voz do CarPlay e do Android Auto, baseados na computação em nuvem, pode tornar bem mais fácil para o cliente buscar informações sobre como chegar a um determinado lugar, usar as funções do telefone ou encontrar uma música desejada enquanto está dirigindo.

Um levantamento de junho da J.D. Power and Associates, empresa de pesquisa do setor automobilístico, com compradores de carros novos detectou que as maiores queixas envolviam os sistemas de conectividade do veículo. O reconhecimento de voz e o emparelhamento com Bluetooth dos sistemas das montadoras foram os problemas principais, segundo a pesquisa.

“Nos últimos cinco anos, muitas dessas montadoras gastaram muito sangue, suor e lágrimas desenvolvendo seu próprio sistema, com as suas próprias marcas, e isso está ameaçado” por causa de clientes que preferem usar seus smartphones da Apple e do Google, diz Mark Boyadjis, analista sênior do setor de automóveis na IHS Automotive.

A Hyundai, que possui um centro de pesquisa e engenharia no Vale do Silício, concorda. “Basicamente, o que descobrimos é que é muito difícil, se não impossível, manter-se em pé de igualdade só com os aplicativos de música que os consumidores querem”, diz Cason Grover, gerente de planejamento de tecnologia na unidade americana da Hyundai. “Quando você tem soluções como o Android Auto e o CarPlay, eles podem simplesmente optar por eles.”

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