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Criticado após eleição de Trump, Facebook discute sua influência

No final da noite de terça-feira, quando ficou claro que Donald Trump derrotaria Hillary Clinton, vencendo a eleição presidencial, ocorreu um bate-papo privado no Facebook entre vários vice-presidentes e executivos da rede social.

Eles se perguntaram que papel a empresa havia desempenhado no resultado da eleição.

Os altos executivos do Facebook concluíram que deveriam abordar a questão e atenuar as preocupações dos funcionários em uma reunião geral trimestral. Eles também convocaram uma reunião menor com a equipe de políticas da companhia, segundo três pessoas que viram o bate-papo privado e estão inteiradas das decisões; elas pediram para manter o anonimato porque a conversa era confidencial, como mostrou material do The New York Times, assinada por Mike Isaac, publciada pela Folha de S.Paulo de 15/11.

O Facebook esteve nos últimos dias no olho de um furacão pós-eleitoral, envolvido em acusações de que teria ajudado a disseminar informações erradas e notícias falsas que influenciaram a votação do eleitorado americano.

A conversa online entre os executivos da empresa na terça-feira, que foi uma de várias séries de mensagens privadas que começaram entre o alto escalão da companhia, mostrou que a rede social estava questionando internamente quais seriam suas responsabilidades.

Enquanto o Facebook se defendia externamente como sendo uma fonte de informações apartidária –Mark Zuckerberg, seu presidente e executivo-chefe, disse em uma conferência na quinta-feira (10) que a ideia de o Facebook afetar a eleição era “bem maluca”–, muitos executivos e funcionários da empresa vêm se perguntando se, ou como, eles moldaram a mente, a opinião e o voto dos americanos.

Alguns empregados temem a disseminação de memes racistas e da direita alternativa pela rede social, segundo entrevistas com dez atuais e ex-funcionários. Outros indagam se contribuíram para uma “bolha de filtros” entre usuários que interagem sobretudo com pessoas que têm as mesmas opiniões.

Outros ainda estão reavaliando o papel do Facebook como companhia de mídia e perguntando-se como podem deter a distribuição de informação falsa. Alguns empregados decidiram enviar sugestões aos gerentes de produto sobre como melhorar o poderoso feed de notícias da rede: o fluxo de atualizações de status, artigos, fotos e vídeos com os quais os usuários em geral passam mais tempo interagindo.

Na noite de sábado (12), Zuckerberg postou uma longa atualização em sua página no Facebook com alguns de seus pensamentos sobre a eleição.

“De todo o conteúdo do Facebook, mais de 99% do que as pessoas veem são autênticos. Só uma parte muito pequena são notícias falsas e boatos”, escreveu. “De modo geral, isto torna extremamente improvável que boatos tenham modificado o resultado desta eleição em uma direção ou na outra.”

Ele acrescentou: “Confio que poderemos encontrar maneiras de nossa comunidade nos dizer qual conteúdo é mais importante, mas acredito que devemos ser extremamente cautelosos para não nos tornarmos árbitros da verdade”.

O questionamento após a eleição vem culminar um ano turbulento para a companhia, durante o qual seu poder de influenciar o que seus 1,79 bilhão de usuários veem, leem e pensam foi cada vez mais criticado.

Quase a metade dos americanos adultos confiam no Facebook como fonte de notícias, segundo um estudo do Centro de Pesquisas Pew. E o Facebook muitas vezes enfatiza para os anunciantes sua capacidade de influenciar os usuários, pintando-se como um mecanismo eficaz para promover produtos.

O tempo todo, Zuckerberg defendeu o Facebook como um lugar onde as pessoas podem partilhar todas as opiniões. Em outubro passado, quando funcionários objetaram à posição de Peter Thiel, um membro do conselho da empresa que apoiou Trump, Zuckerberg disse: “Nós damos muita importância à diversidade” e reiterou que a rede social dá a todos o poder de compartilhar suas experiências.

Mais recentemente, surgiram muitas questões sobre notícias falsas no site. Diversos funcionários do Facebook ficaram especialmente perturbados na semana passada, quando um site de boatos chamado “The Denver Guardian” espalhou pela rede social mensagens falsas e negativas sobre Hillary Clinton, incluindo a afirmação de que um agente do FBI ligado à análise dos e-mails de Hillary tinha assassinado sua mulher e se matado.

Na quinta-feira (10), depois de uma reunião geral da companhia no Facebook, muitos empregados disseram estar insatisfeitos com um discurso de Zuckerberg, que fez comentários para os funcionários parecidos com os que fizera em público.

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