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Comércio global recuou em 2015. E deve seguir fraco

A queda na demanda dos países emergentes fez de 2015 o pior ano para o comércio exterior no mundo desde a crise financeira de 2008, o que aumenta a preocupação quanto ao estado da economia mundial.

O valor das mercadorias que cruzaram fronteiras internacionais em 2015 caiu 13,8% em dólares, na primeira contração desde 2009, segundo números do Monitor de Comércio Mundial, da Agência de Análise de Política Econômica, da Holanda. Grande parte da queda foi influenciada pela desaceleração na China e em outros países emergentes, como mostrou artigo do The Wall Street Journal, assinado por Shawn Donnan e Joe Leahy, publicado no Valor de 26/02.

Os dados divulgados ontem dão o primeiro retrato do comércio mundial em 2015. O anuncio ocorre em meio a temor cada vez maior de que 2016 já esteja se encaminhando para ser um ano problemático, com mais riscos à economia global do que se imaginava.

Esses receios projetam uma grande sombra sobre o encontro de dois dias entre ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G-20, marcado para começar amanhã. O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou nesta semana estar inclinado a reduzir a sua previsão de crescimento mundial neste ano e argumentou que as principais economias precisam se esforçar mais para impulsionar a economia.

O índice Baltic Dry, termômetro do comércio internacional de commodities a granel, ronda seus menores patamares históricos. A China, que em 2014 superou os EUA como país com maior comércio exterior, anunciou neste mês quedas de dois dígitos tanto nas exportações quanto nas importações em janeiro. No Brasil, que passa por sua pior recessão em mais de um século, as importações vindas da China desabaram.

As exportações da China para o Brasil enviadas em contêineres, incluindo de carros a produtos têxteis, caíram 60% em janeiro, em relação ao mesmo mês de 2015. O volume total de importações via contêineres da maior economia da América Latina caiu pela metade, segundo a Maersk Line, maior empresa de navegação do mundo.

“O que estamos vendo agora na China não é um fenômeno apenas em relação ao Brasil, estamos vendo o mesmo em toda a América Latina, volumes [de exportações chinesas] em queda em todos os mercados”, disse Antonio Dominguez, diretor-gerente da Maersk Line para o Mercosul. “Isso vem acontecendo há vários trimestres, mas está ficando mais evidente à medida que avançamos neste ano [2016].”

Há sinais de que um reequilíbrio está em andamento em lugares como o Brasil. O colapso das importações brasileiras da China foi acompanhado por um aumento das exportações brasileiras à Ásia, impulsionadas em parte pela desvalorização de 40% do real em relação ao dólar, acumulada nos últimos 12 meses. “Na esfera mundial, a maioria dos indicadores sugere que o crescimento do comércio vai permanecer muito fraco”, disse Andrew Kenningham, economista global sênior da Capital Economics. “Mas não acreditamos que o comércio mundial esteja por cair em um precipício”.

Em 2015, houve queda no valor tanto das exportações quanto das importações em todas as regiões, em grande parte por oscilações nas taxas de câmbio e pela forte queda nos preço das commodities.

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