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Alemanha sob pressão para elevar seus gastos

Com a economia global desacelerando e mostrando sinais de que pode precisar de apoio, economistas estão apontando para a Alemanha e alguns outros países que estão em condições de fornecer muito estímulo econômico, mas estão optando por não fazê-lo.
Quais medidas de estímulo que as autoridades podem usar para apoiar suas economias foi uma questão-chave durante as reuniões de fim de semana no Fundo Monetário Internacional, em Washington. Em seu relatório anual sobre políticas fiscais globais, o FMI destacou a Alemanha, a Coreia do Sul e a Austrália como países onde o estímulo fiscal poderia fazer sentido. No início deste mês, o FMI pediu à Suíça que aumentasse os gastos públicos.
O FMI, apoiado pelos EUA, pressionou a Alemanha e outros países com superávits orçamentários para cortar impostos ou aumentar os gastos, para apoiar o crescimento. Os países com excedente orçamentário “certamente deveriam fazer uso disso e ter espaço para investir e participar do desenvolvimento econômico e do crescimento”, disse Christine Lagarde, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), “mas não foi feito o suficiente nessa área”.
O secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, disse concordar com a posição do FMI em países superavitários, como a Alemanha. Os EUA estão agora com um grande déficit orçamentário.
A ideia por trás do estímulo financiado por dívida é que, quando as economias estão fracas, os governos compensam a falta de demanda privada por meio de gastos públicos ou cortes de impostos. Em tempos de intenso estresse, como a crise financeira global de uma década atrás, os economistas concordam que os governos devem fazer todo o possível para impulsionar o crescimento.
Mas o uso de estímulo fiscal em larga escala para lidar com uma desaceleração econômica encontra resistência de países como a Alemanha, que mantém uma política econômica conservadora.
O ministro das Finanças da Alemanha, Olaf Scholz, reagiu às críticas, apontando para o aumento do investimento público, a redução de impostos e o maior apoio a famílias de baixa renda no país.
“Seria um serviço muito bom se você pudesse dizer ao resto do mundo que eles estão exigindo algo que nós já fizemos”, disse ele a um repórter numa entrevista coletiva na sexta-feira. As finanças estáveis??da Alemanha a colocam numa posição melhor para responder a uma próxima recessão, disse ele, e os riscos globais atuais não são as finanças da Alemanha, mas aqueles “feitas pelos homens”, incluindo o Brexit e disputas comerciais.
A Coreia do Sul tem superávit orçamentário anual, e a Austrália deve ter superávit nos próximos anos. Diferentemente da Europa, essas economias parecem não precisar de muito estímulo e seus bancos centrais têm espaço para reduzir a taxa de juros, se necessário.
Alemanha e Suíça estão usando seus superávits para reduzir a dívida e se preparar para as pressões orçamentárias esperadas no futuro pela maior demanda de aposentados. A posição da Alemanha é a mais relevante entre os países superavitários, dado o seu papel dominante no crescimento e na política europeus. Se a Alemanha lançasse um grande programa de estímulo, poderia encorajar países deficitários, como a França e a Itália, a aproximar seus orçamentos do equilíbrio. As regras europeias estabelecem um teto para déficit público de 3% PIB, embora exceções sejam feitas em momentos de estresse. Os EUA não têm esse limite.
A economia da Alemanha, que é dependente das exportações, teve contração no terceiro trimestre do ano passado e ficou estável no quarto. Uma série de dados fracos da indústria sugere que pode ter nova contração no primeiro semestre deste ano. Esse problema afetará todos os 19 países da zona do euro, onde a Alemanha é a maior economia, e se espalhará por países que não são da União Europeia, como a Suíça, que dependem do mercado da UE.
A desaceleração econômica da China “atingiu duramente a economia alemã, e há um bom argumento para usar a política fiscal para suavizar o ajuste”, disse Ken Rogoff, professor da Universidade Harvard, observando a “imensa margem” da Alemanha devido à sua baixa dívida pública, que equivale a menos de 60% do PIB e pode encolher para menos de 50% até 2022, segundo estimativas do FMI.
A Alemanha tem superávit anual desde 2014 e deve mantê-lo até 2024, segundo o FMI. As receitas fiscais aumentaram 8% desde 2017, mais que os gastos sociais, e os alemães que trabalham hoje pagam o segundo maior nível de imposto de renda de todos os membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), atrás só da Bélgica.
A posição dos EUA está em forte contraste com a da Alemanha, apesar de enfrentar problemas semelhantes com os gastos com idosos. O governo impulsionou a economia dos EUA com cortes de impostos e maiores gastos, com o objetivo de gerar taxas de crescimento anual do PIB de 3%. Os déficits anuais são superiores a 4% do PIB.
A esperança é que, ao expandir a sua economia, os EUA estejam em uma posição melhor para pagar a sua dívida no futuro. Os efeitos colaterais comuns do estímulo – juros mais altos e aumento da inflação – não se materializaram, reforçando o argumento em favor do estímulo e enfraquecendo a visão da Alemanha de que é melhor manter a margem de ação para uma próxima recessão.
A Alemanha está “aprendendo da maneira mais difícil que eles são o único país que jogar seguindo essa regra”, disse Carsten Brzeski, economista do ING Bank.

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