‘Rage bait’ é eleita palavra do ano pela Oxford

“Rage bait” foi escolhida pela Oxford University Press como a palavra do ano, destacada como a expressão que melhor representa o clima digital de 2025. O termo, associado a conteúdos criados para provocar irritação e estimular engajamento impulsivo, superou “aura farming” (a criação calculada de uma persona online atraente) e “biohack” (o uso de técnicas, substâncias e rotinas para otimizar corpo e mente) após votação pública e análise de dados linguísticos.

Segundo a Oxford, o uso de rage bait triplicou no último ano, impulsionado pela disseminação de postagens feitas para frustrar, ofender ou chocar. A editora define o termo como conteúdo online “deliberadamente criado para provocar raiva ou indignação ao ser frustrante, provocativo ou ofensivo”, reforçando que se trata de uma prática intencional e estratégica na disputa por atenção.

Para a instituição, a popularidade crescente da expressão indica uma mudança na forma como o público passou a entender a manipulação digital. Casper Grathwohl, presidente de Oxford Languages, afirma que “antes, a internet se concentrava em chamar nossa atenção despertando curiosidade em troca de cliques, mas agora vimos uma mudança dramática para o sequestro e influência das nossas emoções e de como reagimos”.

O executivo diz que essa transição é “a progressão natural de uma conversa contínua sobre o que significa ser humano em um mundo movido por tecnologia — e os extremos da cultura online”. Ele também observa que “a existência da palavra rage bait e seu aumento dramático de uso significa que estamos cada vez mais conscientes das táticas de manipulação às quais podemos ser atraídos online”.

A escolha reacendeu um debate recorrente: por que uma expressão de duas palavras pode ser considerada “palavra” do ano? A Oxford explica que a palavra do ano pode ser uma palavra única ou uma expressão que funciona como termo único, como um conceito indivisível. No caso de “rage bait”, trata-se de um termpo composto em que duas palavras antigas do inglês — raiva e armadilha, em português — se unem para formar um significado específico e contemporâneo, assim como ocorre com “clickbait”.

“Rage bait” também ganhou destaque fora do meio acadêmico após a atriz Jennifer Lawrence admitir usar uma conta anônima no TikTok para discutir com fãs, episódio que reacendeu discussões sobre comportamento nas redes. Para Grathwohl, há um reconhecimento imediato do público: “mesmo que nunca tenham ouvido antes, as pessoas instantaneamente entendem o que significa — e querem falar sobre isso”.

O processo de seleção da palavra do ano combina dados de um banco linguístico de mais de 30 bilhões de palavras com participação popular. Neste ciclo, as finalistas foram apresentadas em vídeos verticais que personificavam cada termo, uma estratégia para aproximar a campanha das formas contemporâneas de circulação de linguagem. Mais de 30 mil pessoas participaram da votação.

A lista reforça a tendência da Oxford de destacar expressões moldadas pelo ambiente digital e pelo vocabulário da Geração Z. Nos últimos anos, termos como “selfie”, “goblin mode”, “rizz” e “brain rot” capturaram transformações culturais provocadas pelo uso intenso de tecnologia e pelas mudanças de comportamento nas redes.

Outros dicionários seguem direção semelhante. O Cambridge escolheu “parasocial”, relacionado às relações imaginadas entre público e celebridades, enquanto o Collins adotou “vibe coding”, que descreve o desenvolvimento de aplicativos por meio de inteligência artificial generativa.

https://www.estadao.com.br/link/cultura-digital/rage-bait-eleita-palavra-do-ano-oxford-significa-nprei

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