A Paramount melhorou sua oferta hostil pela Warner Bros Discovery, enquanto prorroga o prazo para sua oferta pública e luta para obter mais apoio dos acionistas. Nesta terça-feira, 10, a empresa de propriedade da Skydance disse que pagaria aos acionistas da Warner uma “taxa de espera” adicional se o negócio não fosse concluído até o final do ano — no valor de US$ 0,25 por ação (ou um total de US$ 650 milhões para cada trimestre após 31 de dezembro).
A Paramount também se comprometeu a pagar a multa rescisória de US$ 2,8 bilhões que a Warner deveria pagar à Netflix, sua pretendente escolhida, caso o negócio fracasse, de acordo com seu acordo de fusão de estúdios e streaming.
O valor da oferta da Paramount permanece inalterado. A empresa está oferecendo US$ 30 por ação em dinheiro aos acionistas da Warner, que agora têm até 2 de março para vender suas ações.
O CEO da Paramount, David Ellison, disse que os “benefícios adicionais” anunciados nesta terça-feira “enfatizam claramente nosso compromisso forte e inabalável em oferecer todo o valor que os acionistas da WBD merecem pelo seu investimento”.
A Paramount quer comprar toda a empresa Warner por US$ 77,9 bilhões, com um valor total de US$ 108 bilhões, incluindo dívidas. Além das operações de estúdio e streaming, isso inclui redes da Warner como CNN e Discovery. Mas ainda há um longo caminho a percorrer em termos de obter o apoio dos acionistas — que, de acordo com divulgações recentes da empresa, parece ter diminuído significativamente no último mês.
Na segunda-feira, a Paramount informou que mais de 42,3 milhões de ações da Warner foram “validamente oferecidas e não retiradas” de sua oferta, ante mais de 168,5 milhões de ações da Warner em 21 de janeiro. A Warner Bros. Discovery tem hoje cerca de 2,48 bilhões de ações em circulação na série A de ações ordinárias.
A Paramount precisaria de mais de 50% para efetivamente obter o controle. O novo prazo de 2 de março marca a terceira vez que a Paramount adiou o vencimento de sua oferta pública, que pode continuar sendo prorrogada.
A Paramount também começou a solicitar procurações para contestar o acordo da Warner com a Netflix. Na terça-feira, a Warner confirmou que recebeu a “oferta pública de aquisição alterada e não solicitada” da Paramount e disse que seu conselho a analisaria — mas que a liderança da empresa não estava modificando sua recomendação da proposta da Netflix no momento. Um porta-voz da Netflix não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários. A liderança da Warner tem apoiado consistentemente o acordo que fechou com a Netflix.
Em dezembro, a Netflix concordou em comprar o estúdio e o negócio de streaming da Warner por US$ 72 bilhões — agora em uma transação totalmente em dinheiro que, segundo as empresas, acelerará o caminho para uma votação dos acionistas até abril. Incluindo a dívida, o valor empresarial do acordo é de cerca de US$ 83 bilhões, ou US$ 27,75 por ação. A Netflix e a Warner afirmam que seu acordo é melhor do que a oferta da Paramount.
Mas a Paramount argumenta que sua oferta é superior — e na terça-feira apontou para um pagamento em “escala móvel” da fusão com a Netflix, que poderia variar de US$ 21,23 a US$ 27,75 por ação, dependendo da dívida resultante da cisão previamente anunciada pela Warner de seu negócio de redes.
Ao contrário da Paramount, a Netflix não quer as redes da Warner. Segundo o acordo entre a Netflix e a Warner, a “Discovery Global” se tornaria uma empresa pública separada antes da conclusão da fusão. A perspectiva de uma venda da Warner para qualquer uma das empresas levantou enormes preocupações antitruste por parte de legisladores em todo o mundo, que estão pedindo aos reguladores que examinem cuidadosamente uma fusão desse porte.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos já iniciou a análise do acordo da Warner com a Netflix e da oferta hostil da Paramount. Todas as três empresas divulgaram que entraram em contato com o Departamento de Justiça para solicitar mais informações. Outros países também podem analisar o acordo. Na terça-feira, a Paramount disse que “obteve aprovação” para sua oferta pública de aquisição das autoridades alemãs no mês passado.
As empresas argumentaram que os negócios propostos serão uma boa notícia para os consumidores e para a indústria do entretenimento em geral, alegando que a fusão proporcionará mais conteúdo aos clientes de streaming. Mas sindicatos e outros grupos comerciais alertaram que uma maior consolidação no setor poderia resultar em perda de empregos e menos diversidade de conteúdo — com consequências particularmente negativas para a produção cinematográfica. /AP
