Em um aguardado lançamento, a OpenAI apresentou o GPT-5 em uma live no YouTube para em torno de 165 mil pessoas e possivelmente centenas de IAs que estavam analisando cada palavra dita em tempo real e resumindo os detalhes e avanços desta nova tecnologia.
Quem abriu a live foi Sam Altman, CEO da empresa, que na véspera havia postado no X uma enigmática foto da “Estrela da Morte” de Star Wars, provavelmente em uma provocação aos sistemas concorrentes e enfatizando o poder do novo GPT. Ele comentou na abertura do evento que o ChatGPT já atinge 700 milhões de usuários semanais, 5 milhões de empresas pagantes e 4 milhões de desenvolvedores na API. São números impressionantes e que destacam o impacto da OpenAI em usuários do mundo todo.
O ChatGPT, mesmo no plano gratuito, terá o GPT-5 como modelo padrão e a opção GPT-5-mini (mais leve). A versão GPT-5-nano, ultrarrápida, será somente via API. No plano Pro, que custa US$ 200 por mês, os usuários ganham acesso ilimitado a GPT-5-pro e GPT-5-thinking (processamento mais longo). Uma funcionalidade interessante é que agora a interface do ChatGPT escolhe automaticamente a melhor versão do GPT-5 a ser usada conforme a complexidade da consulta (e do nível da assinatura, obviamente).
Além de Altman, os demais apresentadores sempre enfatizaram maior inteligência, velocidade e precisão da nova versão do GPT. Eles sugeriram uma taxa de alucinação até 65% menor em relação ao modelo o3 (versão anterior). Além disso, a janela de contexto foi aumentada para 256 mil tokens (“pedacinhos” de palavras processadas pelas máquinas) — antes era de 200 mil. Isso permite ao modelo lidar melhor com conversas, documentos e códigos extensos.
No quesito codificação, foram apresentados números que sugerem um desempenho recorde em benchmarks como SWE-Bench Verified (74,9%) e Aider Polyglot (88%), os quais são performances impressionantes. Neste ponto da apresentação, curiosamente, alguns gráficos apresentados na transmissão estavam com a formatação incorreta, mas estavam corretos no site da companhia.
Os apresentadores também enfatizaram a possibilidade de criação de aplicativos web interativos em tempo real (funcionalidade que alguns concorrentes já possuem). O desempenho do modelo na área de saúde foi enfatizado por Altman. Outro destaque foi o emprego de 5 mil horas de testes de segurança, permitindo aumentar a segurança dos prompts e respostas, menos falhas quando o modelo não consegue resolver a tarefa e menor propensão a enganar o usuário.
Apesar dos avanços impressionantes, para quem esperava superinteligência, recebeu muita personalização de cores, personas pre-configuradas, integrações com Gmail/Calendário/Contatos e modo de voz unificado (mas ainda não disponível para o público). Os especialistas estão divididos, vários deles destacam os benefícios do GPT-5, mas outros sugerem que, em alguns casos, o Grok 4, de Elon Musk, ainda é melhor. Alguns usuários que já tiveram acesso ao modelo sugerem que a melhoria em relação ao GPT-4 não é tão dramática quanto o salto do GPT-3 para o GPT-4. Isso muito provavelmente pelos desafios na ampliação de poder computacional e dados.
Me pareceu que o foco da OpenAI foi em velocidade, melhorias de raciocínio e segurança, para tornar o GPT-5 um modelo robusto e versátil para o usuário final. Os próximos dias serão de muitas análises pelos especialistas, discussões acaloradas com os competidores e a expectativa da movimentação das startups chinesas sobre os avanços deste aguardado modelo de IA.
