Open AI entra em ‘alerta vermelho’ após avanço do Gemini 3, do Google

A disputa pelo pódio na corrida da inteligência artificial ganhou um novo capítulo após o CEO da OpenAISam Altman, acionar internamente um “alerta vermelho”. A decisão, revelada por veículos como The Information e Wall Street Journal, busca reagir ao forte impulso do Gemini 3, modelo lançado recentemente pelo Google e recebido com entusiasmo pelo mercado, três anos depois de a própria big tech ter declarado alerta semelhante diante do impacto inicial do ChatGPT.

No memorando enviado aos funcionários, Altman afirmou que a empresa vive “um momento crítico” e deve concentrar esforços na melhoria do ChatGPT. Ele escreveu que está declarando um “alerta vermelho” para acelerar o desenvolvimento da ferramenta, medida que virá acompanhada do adiamento de iniciativas paralelas, incluindo planos de publicidade. Segundo o documento, a OpenAI enfrenta “ventos econômicos desfavoráveis temporários” e pode experimentar “vibrações difíceis” diante do avanço do rival.

Entre as prioridades imediatas, Altman determinou que as equipes foquem na experiência cotidiana do usuário, com ênfase em respostas mais rápidas e confiáveis, novos recursos de personalização e maior amplitude na capacidade de solucionar dúvidas. Um modelo de raciocínio mais avançado, que segundo ele supera o Gemini 3 em avaliações internas, deve ser lançado na próxima semana, embora o CEO reconheça que há “melhorias substanciais” ainda pendentes na plataforma.

A reformulação de prioridades afeta também projetos já anunciados, como o assistente pessoal ChatGPT Pulse e ferramentas de compras por IA. A integração de anúncios, nunca confirmada oficialmente, estaria em fase de testes, de acordo com trechos de código encontrados por pesquisadores independentes e relatórios de bastidores. Em outubro, Altman havia declarado não ter “planos atuais” de incluir publicidade, mas não descartou a ideia no futuro.

Enquanto a OpenAI reorganiza suas frentes, executivos da empresa reforçam publicamente o posicionamento do produto. Nick Turley, chefe do ChatGPT, publicou no X que o foco é torná-lo “ainda mais intuitivo e pessoal”, chamando-o de “#1 assistente de IA no mundo” e afirmando que o serviço “responde por cerca de 10% da atividade de busca”, sem detalhar a métrica.

A pressão atual vem do lançamento, no mês passado, do Gemini 3. A nova geração do modelo do Google estreou simultaneamente em diversos serviços da empresa e obteve desempenho superior aos concorrentes em benchmarks de raciocínio multimodal, matemática e programação.

O modelo também recebeu elogios por recursos criativos e pelo gerador de imagens Nano Banana Pro. Em reação que chamou atenção, o CEO da Salesforce, Marc Benioff, escreveu: “Eu usei o ChatGPT todos os dias por três anos. Acabo de passar duas horas no Gemini 3. Não pretendo voltar [ao ChatGPT]. O salto é insano.”

O movimento marca uma virada simbólica. Desde o “momento ChatGPT”, no fim de 2022, o Google correu para recuperar terreno após admitir internamente que hesitou em lançar seu próprio chatbot. O tropeço inicial com as primeiras versões do Gemini, criticadas por respostas com erros grotescos, parecia consolidar a vantagem da OpenAI. Mas a nova versão elevou a confiança da empresa e atraiu 650 milhões de usuários mensais em outubro.

Apesar da pressão, o ChatGPT mantém uma base significativamente maior que a do Gemini, com 800 milhões de usuários semanais, o que mantém a plataforma como sinônimo de IA para grande parte do público

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