A fabricante de alimentos Nestlé abriu um chamado de inovação para empresas de tecnologia no Brasil que a ajudem a desenvolver um “nariz eletrônico” para aprimorar a produção de chocolates, como o KitKat.
“Buscamos um ‘nariz eletrônico’ que nos permita medir os ácidos graxos berados no processo de conchagem [processo de agitação e quecimento que refina a textura e o sabor do chocolate]”, explicou o gerente de transformação digital da Nestlé Brasil, Gustavo Moura, na sede do Centro de Competências Técnicas (CCT) da empresa, em Araras (SP), que a reportagem do Valor visitou na semana passada.
Segundo Moura, o “nariz eletrônico” poderá orientar a velocidade da mistura de ingredientes. O gerente disse já ter identificado “uma startup que atende parte da solução” e que a Nestlé está “em conversa para fazer uma prova de conceito”. Preferiu não revelar o nome da startup por ser uma informação estratégica para o negócio.
Atualmente, o CCT monitora a produção de 14 das 18 fábricas da Nestlé no país, em tempo real, realizando tarefas como manutenção remota e identificação de possíveis gargalos na produção de forma preditiva usando inteligência artificial (IA). Os dados são coletados de mais de 27 mil sensores instalados em equipamentos industriais.
“Desde a criação do CCT, em dezembro de 2022, já conseguimos aumentar em 10% a produtividade e reduzir em 30% as paradas não previstas nas linhas de produção”, disse o executivo.
O CCT da Nestlé reúne mais de 50 especialistas e funciona ao lado da unidade industrial da empresa em Araras (SP), a fábrica mais antiga da Nestlé na América Latina fundada em 1921. Hoje, a unidade fabrica cafés solúveis, achocolatados e estamparias de produtos.
Na semana passada, no dia 3, a Nestlé anunciou um investimento de R$ 1 bilhão na expansão da capacidade produtiva da linha de cafés solúveis Nescafé, em Araras, até 2028.
A empresa vem aplicando lA no monitoramento de suas fábricas desde 2019. Desde 2022, a empresa também vem trabalhando com um modelo customizado de lA generativa, o NesGPT, hoje baseado no software GPT-4, da OpenAl.
Entre as aplicações da lA nas fábricas estão a redução de consumo energético e de água, o aumento da eficiência das máquinas e a redução de custos de manutenção.
Outra aplicação de lA estudada atualmente envolve a busca por novos modelos produtivos para elevar a eficiência das torres de secagem de café, no processo de produção da linha de cafés solúveis, por exemplo, citou Moura.
Moura contou ainda que os dados coletados pelo programa de treinamento de funcionários das fábricas, o Nesverso, iniciado em maio, também colaboram com o monitoramento das linhas de produção.
O treinamento em forma de jogo eletrônico, no modelo de “gamificação”, usa recursos de realidade virtual e já foi aplicado em quatro fábricas da empresa. ‘Vou poder cruzar os dados de treinamento das pessoas com a melhoria de performance das linhas de produção”, disse o gerente da Nestlé.
