IA e dados não superam sensibilidade humana

O uso de inteligência artificial e o tratamento de dados auxiliam as produtoras de conteúdo para streaming, mas não conseguem superar a sensibilidade humana na hora de escolher as histórias que serão filmadas. Essa foi uma das conclusões do painel “O pulso do conteúdo de streaming: criação & estratégia”, que abriu o segundo e último dia, na sexta-feira (4), do Academy Day, evento promovido pela Academia Internacional de Artes e Ciências da Televisão e do qual a Globo é anfitriã. A conferência, que começou na quinta-feira, foi realizada no Museu do Amanhã, no centro do Rio, e nos Estúdios Globo, na zona oeste da cidade.

O painel de abertura do segundo dia foi mediado pelo jornalista Guilherme Ravache, colunista do Valor, e contou com a participação de Manuel Belmar, diretor de produtos digitais, finanças, jurídico e infraestrutura da Globo; Monica Pimentel, vice-presidente de conteúdo e líder de gerenciamento de talentos da Warner Bros Discovery Brasil; e Elisabetta Zenatti, vice-presidente de conteúdo da Netflix Brasil. Belmar ressalta que o uso de inteligência artificial e dados não interfere na criação de narrativas, mas ajuda no entendimento completo do consumidor: “Dados são um componente [importante], mas a criatividade não pode ser substituída pelos dados”, diz o executivo. Zenatti, da Netflix, afirma que há um mito sobre a empresa usar o gosto do consumidor para definir quais séries serão produzidas:

“Quando se trata de conteúdo, temos que confiar mais nas nossas entranhas”, afirma. Segundo ela, há uma recomendação de entender o consumidor da melhor forma possível, de maneira a ofertar produções mais conectadas a cada espectador. “Mas isso não tem impacto na escrita [de uma determinada série]”, diz.

Pimentel, da Warner Bros Discovery, diz que no serviço de streaming da Max, que reúne, entre outras, produções da HBO e da Discovery, o uso de dados ajuda a definir gostos e preferências dos consumidores, mas não define o conteúdo que é produzido: “Os dados trazem elementos que não são a narrativa em si, mas a tendência de consumo dentro da plataforma”, afirma.

Os executivos também destacaram a importância de produções locais em seus serviços. Belmar citou a relevância e o impacto de “Ainda Estou Aqui”, primeiro longa metragem do Globoplay e vencedor do Oscar de melhor filme internacional em 2025. Segundo ele, parcerias foram fundamentais na trajetória do filme, que ganhou também o Globo de Ouro de melhor atriz para Fernanda Torres. “Só vai [concorrer] a um Globo de Ouro, a um Oscar, quem tem ótimos parceiros”, diz.

Pimentel lembra o sucesso de “Beleza Fatal”, primeira novela feita no Brasil pela plataforma da Max. Segundo ela, desde a estreia, em janeiro, a produção superou as expectativas e metas para Brasil e América Latina e já foi exibida nos Estados Unidos e em Portugal. Zenatti citou “Senna”, série da Netflix sobre Ayrton Senna (1960-1994), brasileiro tricampeão de Fórmula 1. A minissérie foi sucesso no Brasil e em diversos países. “[A série] Foi muito importante não só para nós, mas para a indústria brasileira”, diz. “Foi sucesso no mundo todo. Um show brasileiro que fica cinco ou seis semanas no top 10 mundial [da Netflix], quando há um grande engajamento no show, há um legado, fica na memória.”

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2025/04/07/ia-e-dados-nao-superam-sensibilidade-humana.ghtml

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