IA dá base para Nvidia aumentar receita e lucro

A inteligência artificial deu base à fabricante de chips Nvidia para que apresentasse resultados sólidos no balanço do segundo trimestre, divulgado nesta quarta-feira (27). Com papel central no design de chips a avançados para desenvolver e executar modelos de IA como o ChatGPT, da OpenAI, a Nvidia tornou-se a empresa mais valiosa do mundo, em valor de mercado, com mais de US$ 4,43 trilhões.

A companhia americana reportou lucro de US$ 26,42 bilhões no trimestre encerrado em julho, com uma alta anual de 59%. A receita foi de US$ 46,74 bilhões, o que representa um avanço de 56% frente a um ano antes.

Os resultados do segundo trimestre poderiam ter sido ainda melhores se não fossem alguns fatores que pesaram negativamente. Um de seus principais produtos para IA, o chip H20, não pôde ser vendido para a China por causa da disputa geopolítica com o governo dos Estados Unidos. Além disso, a guerra tarifária imposta pelo presidente Donald Trump influenciou nas vendas para vários países, disse ao Valor o diretor da Divisão Enterprise da Nvidia para América Latina, Marcio Aguiar.

“Estamos confiantes de que no terceiro e quatro trimestres todas essas questões estejam mais controladas e as empresas e os países possam voltar a investir em ‘data center’ e nas empresas”, prevê o diretor. As indefinições ainda atingem vários países, mas caminham para um entendimento, opina o executivo. Mas no caso do Brasil, que não está alinhado com o governo americano, pode demorar um pouco mais.

“Data center” é o segmento mais representativo no negócio da Nvidia, mesmo com a companhia enfrentando todas as incertezas políticas desde a posse de Trump. “Estamos seguindo todas as regras impostas pelo presidente na política de venda de GPUs [unidade de processamento gráfico] para vários países, regra que depois foi derrubada”, disse Aguiar. “Não podíamos vender para a China. Mas agora estamos considerando vender a placa H20 já neste trimestre.” A companhia projeta US$ 54 bilhões em receita para o terceiro trimestre, sem considerar o mercado chinês. Mesmo com a retomada desse parceiro, a Nvidia age com cautela para deixar os investidoresseguros e entregar os números prometidos.

A Nvidia não divulga dados regionais. Mas o Brasil representa cerca de 4% a 5% da receita global do grupo, o equivalente à faixa de US$ 1,87 bilhão a US$ 2,33 bilhões. Esse percentual vem se mantendo pelo avanço do processamento da IA. Nesse sentido, os “hyperscalers” com seus centros de dados usam tecnologia como a da Nvidia porque precisam de poder computacional. “Hyperscalers” são empresas que oferecem infraestrutura de nuvem em larga escala, caso dos “data centers”. Entre os grandes atores que atuam nesse segmento estão a Oracle, Microsoft, Amazon e Google.

A receita do negócio de “data centers” da Nvidia teve alta anual de 56%, para US$ 41,1 bilhões, enquanto o faturamento de jogos e IA para computadores subiu 49%, para US$ 4,3 bilhões.

O peso da IA na receita é focado na plataforma de “data center” – 99,8% é com IA, pela demanda computacional que essa tecnologia exige, diz Aguiar. O restante é do segmento de pró-visualização – voltado a sistemas gráficos e de computação visual de alta performance destinados a profissionais.

“Desde 2012, a empresa vem investindo muito na arquitetura de software e hardware para atender à demanda de IA que vivemos hoje”, diz o executivo. “Já estávamos preparando o terreno para que as empresas trouxessem todo o conhecimento usando tecnologias de IA.”

A Nvidia ainda tem um longo caminho a percorrer no segmentos automotivo e de robótica, cujas receitas somaram US$ 586 milhões, com avanço de 69%. “A maioria das indústrias na Ásia está totalmente automatizada, e para a Nvidia, tudo que se move vai ser automatizado. Será o grande salto nos próximos dois a três anos”, diz o diretor.

Apesar do balanço positivo, as ações da Nvidia fecharam em queda de 0,09%, para US$ 181,60, na bolsa americana Nasdaq. No pós-fechamento do mercado, a desvalorização se acentuou e o recuo passava de 3% à noite. Para o executivo, trata-se de um movimento normal de mercado. No acumulado de janeiro até ontem (27), as ações da empresa tiveram valorização de 51,27%.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2025/08/28/ia-da-base-para-nvidia-aumentar-receita-e-lucro.ghtml

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