EUA formam aliança com UE, Japão e México para reforçar cadeias de minerais crítico

O governo de Donald Trump anunciou novas alianças internacionais para reforçar a segurança e a resiliência das cadeias de suprimento de minerais críticos, matérias-primas cruciais para equipamentos e tecnologias relacionados a transição energética e a defesa. Os anúncios acontecem em meio a tentativa de Washington de garantir independência dos recursos da China.

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) firmou uma parceria bilateral com o México e outra trilateral envolvendo a União Europeia e o Japão. Segundo o comunicado, o objetivo é coordenar políticas comerciais e mecanismos, incluindo pisos de preços, para reduzir vulnerabilidades no fornecimento desses recursos estratégicos.

O plano de ação com o México prevê, nos próximos 60 dias, a discussão de políticas coordenadas, pisos de preços ajustados na fronteira e a identificação de projetos conjuntos de mineração, refino e manufatura. O memorando de entendimento com a União Europeia e o Japão inclui ações similares, voltadas à diversificação da oferta, prevenção de interrupções, promoção de pesquisa e inovação e compartilhamento de informações sobre estoques estratégicos.

Segundo o USTR, as iniciativas visam criar mercados mais estáveis e seguros, preparar o terreno para futuros acordos plurilaterais e fortalecer a cooperação entre aliados estratégicos. Valores e detalhes desses acordos, porém, ainda não foram divulgados.

Os anúncios coincidem com um evento do Departamento de Estado, nesta quarta, que reuniu 55 países para discutir minerais críticos. Os esforços do governo americano em garantir as reservas acontecem meses depois de a China, país com maior reserva do mundo, ter dificultado o acesso às suas terras raras.

No ano passado, em meio a guerra tarifária de Trump, a China dificultou o acesso aos recursos e passou a exigir que empresas estrangeiras precisavam obter autorização de Pequim para exportar ímãs críticos e outros produtos que contenham até pequenas quantidades de terras raras extraídas do país asiático. Em novembro, o país suspendeu por um ano o controle das exportações.

De lá para cá, Trump já assinou acordos com a Austrália e também com o Japão, que agora integra a aliança trilateral com a União Europeia. Na semana passada, também anunciou um estoque estratégico de minerais críticos de US$ 12 bilhões. A iniciativa envolverá a compra de minerais-chave, como terras raras, cobre e lítio, que serão adquiridos por três tradings parceiras: Traxys, Mercuria e Hartree Partners.

Durante o encontro, nesta quarta, os EUA propuseram a criação de um bloco comercial como forma de contrabalançar a influência da China, embora detalhes operacionais não tenham sido divulgados. Para o secretário do Estado dos EUA, Marco Rubio, a formação de um bloco comercial é essencial para evitar que nenhum país ou crise interrompa as cadeias de suprimentos.

Em discurso no evento, o vice-presidente JD Vance afirmou que as “as cadeias de suprimento são excepcionalemnte concentradas” e, sem citar a China, criticou que os países se tornaram “dependentes de acordos que não escolhemos e, agora, acordos que não conseguimos controlar”.

Sobre os planos de criar um bloco, Vance afirmou que estava satisfeito que “muitos já aderiram a este plano”. “Alguns ainda não o fizeram e, para aqueles que ainda não chegaram lá, esperamos que as discussões de hoje os incentivem a concluir esses acordos o mais rapidamente possível.”

O Brasil foi convidado e participou do evento, mas, até a tarde desta quarta-feira, não estava claro se foi recebido convite formal para integrar o acordo e de que forma que este acordo se desenharia.

Com a ausência do chanceler Mauro Vieira, devido a compromissos na agenda, o país foi representado pelo ministro-conselheiro Fernando Sena, especialista no tema pela embaixada. Qualquer eventual acordo seria analisado com cautela e encaminhado a Brasília para avaliação.

Segundo a Folha apurou, para o Brasil, um pacto desse tipo precisaria garantir que a exploração dos minerais fosse ambiental e socialmente sustentável, com criação de valor agregado no país. Porém, o país não descarta acordos sobre estes recursos e já se colocou disposto a negociar minerais críticos.

Apesar de os governos brasileiro e americano ainda não terem fechado um acordo, duas mineradoras com projetos avançados de terras raras do Brasil já fecharam contratos de financiamento que podem levar os EUA a ter vantagem no recebimento de suas produções.

As mineradoras Serra Verde e Aclara, em Goiás, assinaram financiamentos com um banco estatal americano, o DFC (Development Finance Corporation), em acordos que podem evoluir para negócios maiores. Pelos termos do empréstimo fechado com a Aclara, por exemplo, o DFC pode converter o dinheiro devido em ações no futuro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já afirmou diversas vezes que o país quer processar minerais críticos, não apenas exportar matéria-prima. O Brasil possui a segunda maior reserva do mundo, mas ainda não tem tecnologia para processá-la.

Lula abordou o tema na semana passada em evento no Panamá. “Para que falamos tanto? Para ficar exportando material bruto? Para ser transformado nos outros países e a gente comprar a peso de ouro? Não. Os minerais críticos e terras raras só têm sentido para enriquecer nossos países se a gente tiver coragem de construir parcerias e eles serem transformados nos nossos países, para gerar desenvolvimento, riquezas e empregos”, completou o presidente.

O plano de ação com o México prevê nos próximos 60 dias a discussão de políticas coordenadas, pisos de preços ajustados na fronteira e a identificação de projetos conjuntos de mineração, refino e manufatura. Já o memorando de entendimento com a União Europeia e o Japão incluem ações similares, voltadas à diversificação da oferta, prevenção de interrupções, promoção de pesquisa e inovação e compartilhamento de informações sobre estoques estratégicos.

De acordo com Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), as iniciativas buscam criar mercados mais estáveis e seguros, preparar o terreno para futuros acordos plurilaterais e fortalecer a cooperação entre aliados estratégicos. Porém, valores e detalhes destes acordos ainda não foram divulgados.

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