Apple lança robôs e câmeras com IA para alcançar rivais

O esforço da Apple em se posicionar de vez no cenário da inteligência artificial (IA) agora envolve uma série ambiciosa de novos dispositivos. De acordo com a Bloomberg, os planos a curto-prazo da empresa californiana envolvem o desenvolvimento de robôs, uma versão realista da Siri, um alto-falante smart e câmeras de segurança residencial.

Um robô de mesa que faz o papel de companheiro virtual está previsto para 2027, segundo a Bloomberg. O lançamento é considerado peça-chave na estratégia de IA da marca. No próximo ano, a novidade será o alto-falante inteligente com tela, o que marca o começo da série de produtos para automatização residencial.

A notícia impulsionou as ações da gigante nesta quarta-feira, 13, quando passaram a ser vendidas por US$ 233,70. O valor representou a máxima do dia.

O robô deve se parecer com um iPad montado em uma base móvel que gira e segue o usuário. Como uma cabeça humana, o dispositivo pode se virar para quem falar com ele.

A esperança é dar vida à IA de maneiras que outros fabricantes de hardware ainda não conseguiram. No cenário ideal, a Apple imagina seu robô como um assistente de mesa usado para trabalho, consumo de mídia e gerenciamento de agenda.

Ligações de FaceTime também ganham prioridade no layout do dispositivo. Durante videoconferências, a tela poderá se mover para focar nas pessoas ao redor de uma sala. Esse recurso complementa um teste da Apple no qual transforma a tela do iPhone em um joystick que move o robô pelo ambiente.

Os protótipos do dispositivo usam uma tela horizontal de 7 polegadas – quase um iPad Mini. O braço motorizado pode estender a tela da base por aproximadamente 15 centímetros em qualquer direção. Uma câmera frontal será responsável por guiar o aparelho.

Quem já viu o modelo chama de “Lâmpada da Pixar”, em referência ao famoso logotipo da empresa de animação. Inclusive, a Apple já publicou detalhes de uma luminária robótica que se movimenta em janeiro.e

Equipes trabalham para desenvolver IA, software, hardware e design de interfaces para lidar com o projeto. O líder da empreitada é Kevin Lynch, que antes supervisionou uma iniciativa voltada para software de smartwatches e carros.

De fato, a marca registrada do gadget é uma versão nova da assistente de voz Siri, que vai poder se inserir em conversas entre várias pessoas. Ela será capaz de interagir com usuários ao longo do dia e lembrar informações com mais facilidade.

Na prática, ao combinar o robô com a nova Siri, a Apple sonha que o dispositivo se comporte como mais uma pessoa na sala. Ele poderia interromper a conversa de amigos que combinavam um jantar e sugerir restaurantes próximos ou receitas, por exemplo. Em discussões sobre viagens ou compromissos de trabalho, o robô também se intrometeria, de forma semelhante ao modo voz do ChatGPT.

Para isso, a Siri deve ganhar uma nova identidade visual. O primeiro teste fez a assistente dar vida ao logotipo do Finder, rosto que representa o sistema de gerenciamento de arquivos do Mac. Os designers, porém, estão inclinados a decidir por algo próximo aos Memoji, personagens bem-humorados que representam as contas de usuários da Apple.

Chamado de Bubbles, a ideia lembra o Clippy, assistente virtual em formato de clipe de papel da Microsoft na década de 1990.

A marca desenvolve outros robôs. Algumas equipes testam um dispositivo móvel por meio de rodas – similar ao Astro, da Amazon – e já discutiu modelos humanoides.

Grupos que desenham um braço mecânico de tamanho industrial também estudam formas de tentam construir algo para instalações de fabricação ou manuseio em lojas de varejo.

Outra grande oportunidade mapeada pela fabricante do iPhone é a segurança residencial. A ideia é começar por uma linha de câmeras que no futuro vão ancorar um ecossistema de produtos Apple para a casa.

Essa abordagem tem a função de convencer o usuário a usar dispositivos da marca de forma integrada.

Por isso, a iniciativa para casas inteligentes envolve um display independente com lançamento previsto para 2026. Esse dispositivo é uma versão simplificada do robô – sem braço e com Siri limitada –, porém capaz de controlar as portas da casa, reproduzir música, fazer anotações, navegar na web e programar videoconferências. A nova interface visual da Siri pode ser incluída.

Smart Home com carisma

Tanto o display inteligente quanto o robô de mesa rodarão o novo sistema operacional Charismatic, projetado para uso coletivo, de acordo com a Bloomberg. A interface se concentra em mostradores de relógio e widgets (pequenos recursos de software dedicados a tarefas específicas).

No início do desenvolvimento o Charismatic era conhecido como Pebble and Rock. Ele oferece recursos multiusuário, temas de relógios e combina a abordagem dos sistemas operacionais da Apple TV e Apple Watch.

O plano da Apple é disponibilizar muitos de seus apps principais no dispositivo, o que inclui o calendário, câmera, música, os lembretes e as notas. Mas a interface será dependente da interação por voz e widgets – um recurso que a marca chama de App Intentes.

Por fora, o aparelho deve se parecer com o Google Nest Hub, mas de formato quadrado, com molduras finas pretas ou brancas e cantos arredondados. Também com sete polegadas, o display fica sobre uma base em formato de meia cúpula, onde fica parte dos componentes eletrônicos e as saídas de alto-falante e microfone.

Linwood e Glenwood

Engenheiros trabalham em uma versão de IA de codinome Linwood, com um cérebro novo, construído em torno de grandes modelos de linguagem – a base da IA generativa – com objetivo de acessar dados pessoais para responder comandos. O lançamento deve acontecer entre março e junho do ano que vem, segundo a Bloomberg News.

O Linwood é baseado na tecnologia desenvolvida pela equipe da Apple Foudation Models, mas a empresa também projeta um concorrente, o Glenwood, o qual deve equiparar a Siri com IAs existentes.

“O trabalho que fizemos nesta reformulação completa da Siri nos deu os resultados que precisávamos”, disse Craig Federighi, vice-presidente sênior de engenharia de software para a Bloomberg. “Não há projeto que as pessoas estejam levando mais a sério”.

Mike Rockwellm, ex-chefe do Vision Pro, supervisiona os projetos Linwood e Glwnwood, mas ainda não decidiu quais modelos serão usados para treinar a IA da Apple. Testes já foram realizados com Claude, da Anthropic.

Mas o real objetivo da Apple é restaurar sua fama de inovadora. Por isso, é essencial superar o fiasco de vendas do headset Vision Pro e as críticas do Apple Intelligence. A monotonia no design dos produtos da Apple também incomoda os executivos.

Competição por câmeras

Uma câmera de codinome J450 é projetada para segurança residencial, detecção de pessoas e automação de tarefas. O dispositivo será alimentado por bateria e poderá durar meses com uma carga única.

Com reconhecimento facial e sensores infravermelhos para determinar quem está em cada ambiente da casa, a Apple acredita que os usuários instalarão essas câmeras em todos os cômodos a fim de ajudar no controle de luzes ou monitoramento.

O objetivo é aproveitar a base de clientes de smartphones e tablets para concorrer com o Amazon Ring, Google Nest e Roku.

A empresa também busca fazer uma campainha que usa tecnologia de reconhecimento facial. A Apple já vende assinaturas iCloud+ com armazenamento online para vídeos de segurança, mas elas são voltadas para câmeras de outras marcas.

Na busca por hegemonia

Um fator de angústia na empresa de Cupertino, na Califórnia, é a ameaça da OpenAI. Em maio deste ano, Sam Altman contratou o designer Jony Ive por US$ 6,5 bilhões para desenvolver novos gadgets baseados em IA, segundo relatórios do The Wall Street Jornal.

Ive teve papel fundamental no desenho de produtos Apple, desde o iPhone até o iMac e se envolveu na construção do Apple Park, atual sede da empresa. Ele deixou a gigante em 2019 para começar sua própria marca.

Embora a Apple ainda engatinhe na transformação de seu software de IA, os executivos consideram os produtos de hardware peça-chave na disputa por mercado com Samsung e Meta. O problema é que muitas das iniciativas e cronogramas dependem do progresso em softwares com tecnologia de IA.

Ou seja, os planos da empresa podem mudar ou ser descartados.

Em uma reunião com geral com funcionários, o CEO Tim Cook disse que a Apple precisa vencer a disputa pela IA e deu spoilers sobre os próximos dispositivos. “O pipeline de produtos, sobre o qual eu não posso falar, é incrível”, disse. “Parte disso vocês verão em breve. Parte virá depois. Mas há muito para revelar”.

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