A inteligência está se tornando gratuita na era da IA

É difícil Bill Gates se surpreender com algo, mas até ele admitiu: “a velocidade da inteligência artificial (IA) está me espantando”. Foi isso que o cofundador da Microsoft, que ajudou a moldar a era dos computadores pessoais, falou à CNN semanas atrás.

Antes, ele já tinha ido ao talk show do Jimmy Fallon e descrito um futuro em que as pessoas não serão mais necessárias “para a maioria das coisas”, pois a IA fará com facilidade tarefas que hoje exigem habilidades humanas especializadas.

Até aqui, vivemos tempos em que a computação deixou de ser cara e se tornou barata, praticamente gratuita. Agora, estamos entrando numa nova era: a da “free intelligence”. Para Gates, o conhecimento em áreas como medicina e educação ainda é raro. Porém, ao longo da próxima década, a IA tornará excelentes diagnósticos médicos e aulas particulares comuns e disponíveis sem custo. Se antes o avanço foi tornar o poder computacional acessível, agora o mundo caminha para tornar a inteligência acessível.

E isso já começou. Suporte técnico, legal e contábil básico já pode ser feito por IA, além de várias outras coisas. Estamos diante de uma tecnologia que resolve problemas, escreve códigos, gera conteúdos, toma decisões e aprende muito mais rápido do que qualquer profissional da nossa geração. Esse avanço não é só técnico. É cultural. Estamos entrando numa era onde a IA se tornará o default.

Fato é que, em maior ou menor grau, todas as profissões serão impactadas. Qualquer coisa que possa ser traduzida em padrões e armazenada em dados poderá ser replicada pelas máquinas. Até os programadores, que ajudaram a construir os algoritmos das soluções de IA, estão sendo ironicamente afetados. Satya Nadella, CEO da Microsoft, anunciou que até 30% do código da sua empresa já é escrito por IA. E um relatório do Financial Times, com dados do Indeed (plataforma global de busca de empregos), mostrou que as vagas para desenvolvedores nos EUA atingiram o nível mais baixo em 5 anos, refletindo uma queda significativa impulsionada pela adoção da IA.

Em 1995, Gates explicou a desconhecida internet à TV americana, mostrando como ela impactaria nossas vidas. Anos depois, o que ele disse virou realidade. Em 2015, num TED Talks chamado “O próximo surto? Não estamos preparados”, ele mencionou que o nosso maior risco era um vírus. E logo veio a pandemia. Agora, em 2025, de novo à TV americana, ele diz que serviços humanos de qualidade se tornarão comuns e até gratuitos em 10 anos. Estará ele certo outra vez?

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