O Tesouro dos Estados Unidos está negociando uma linha de financiamento temporária (swap line) com o Banco Central da Argentina no valor de US$ 20 bilhões e está disposto a comprar dívida primária ou secundária do país sul-americano, anunciou o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, nesta quarta-feira, 24.
“O Tesouro está atualmente em negociações com autoridades argentinas para estabelecer uma linha de swap de US$ 20 bilhões com o Banco Central. Estamos trabalhando em estreita coordenação com o governo argentino para evitar volatilidade excessiva”, indicou na rede social X.
“Além disso, os Estados Unidos estão preparados para adquirir dívida pública no mercado primário ou secundário, e estamos trabalhando com o governo argentino para acabar com a isenção fiscal dos produtores de matérias-primas que convertem moedas”, acrescentou o comunicado.
Uma “swap line” é formalmente uma troca de moedas entre Bancos Centrais, mas, no caso dos Estados Unidos com a Argentina, um país submetido a grande pressão nos mercados, é uma linha de financiamento em dólares provisória e de rápido acesso que os Estados Unidos concedem, para evitar que o peso sofra muitas oscilações.
A dívida primária é aquela emitida pelo governo para arrecadar dinheiro imediatamente, por meio de títulos ou letras, enquanto a dívida secundária é aquela que já foi emitida e que é trocada por investidores, públicos ou privados.
“O Tesouro dos Estados Unidos está disposto a comprar títulos em dólares da Argentina e o fará conforme as condições exigirem. Também estamos preparados para conceder um crédito importante (…) por meio do Fundo de Estabilização Cambial, e mantivemos conversações ativas com a equipe do presidente Milei para fazê-lo”, acrescentou o secretário do Tesouro.
A Argentina vive uma situação financeira delicada devido aos reveses eleitorais e políticos do governo no Congresso, que colocaram o ultraliberal Javier Milei contra as cordas. Milei se reuniu na terça-feira, 23, com o presidente Donald Trump à margem da Assembleia Geral da ONU, e o mandatário republicano lhe deu seu apoio público.
“O governo Trump mantém-se firme no seu apoio aos aliados dos Estados Unidos, e o presidente Trump concedeu ao presidente Milei um apoio pouco comum a um responsável estrangeiro, para demonstrar a sua confiança nos planos econômicos do seu governo”, afirmou Bessent.
Ajuda do BID
Também nesta quarta-feira, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciou um pacote de ajuda US$ 3,9 bilhões para a Argentina, em iniciativa que se junta a esforços dos EUA e do Banco Mundial em prol da estabilização financeira do país latino-americano. Os recursos serão mobilizados ao longo de 15 meses.
Em comunicado, o BID disse que deve encerrar o ano com cinco novas operações no setor público aprovadas, totalizando US$ 2,9 bilhões, destinadas a apoiar reformas estruturais na Argentina. Além disso, o pacote inclui mais US$ 1 bilhão canalizados via BID Invest, braço do setor privado, direcionado a setores como energia, minerais críticos, conectividade, serviços de saúde e financiamento de pequenas e médias empresas.
Segundo o BID, o objetivo é expandir “significativamente” suas operações na Argentina nos próximos 15 meses, combinando crédito soberano com investimentos privados e mobilização de recursos. Essa abordagem, que reforça também o papel do BID Lab, laboratório de inovação e capital de risco do grupo, está alinhada à estratégia para o país aprovada em julho pelo Conselho Executivo.
O comunicado ressalta que as prioridades do financiamento incluem “consolidação fiscal, aumento da competitividade, modernização da infraestrutura e promoção do investimento privado”. Dentro do programa do Fundo Monetário Internacional (FMI), o BID afirmou ainda que apoia a Argentina com um pacote de até US$ 10 bilhões para os próximos três anos, destacando que a carteira do IDB Invest no país “é a maior de toda a região”./AFP
