EUA oferecem à Ucrânia garantias e esperam que Rússia aceite acordo

Um acordo atualmente em negociação com a Ucrânia incluiria garantias de segurança “fortes” por parte dos Estados Unidos, semelhantes à defesa coletiva da Otan, de acordo com um oficial americano, que conversou com a AFP nesta segunda-feira, 15, sob condição de anonimato.

“A base desse acordo é, basicamente, ter garantias realmente muito fortes — como as do Artigo 5 (da Carta da Otan) — e também uma dissuasão muito, muito sólida por meio de armamentos”, disse o funcionário durante uma entrevista por telefone com jornalistas.

A fonte expressou confiança de que a Rússia aceitaria, o que os EUA considerariam um avanço para encerrar a guerra.

A conversa do oficial americano com a AFP ocorre após reuniões em Berlim entre o presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, e outros funcionários do governo americano. Zelenski apontou que ligaria para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta segunda-feira para conversar sobre o acordo. Lideranças europeias também devem participar da ligação.

As discussões entre Zelenski e os enviados de Trump no domingo, 14, e na segunda-feira, em Berlim, foram “muito, muito positivas”, afirmou o funcionário americano. “Esperamos estar no caminho da paz”, disse a fonte, relatando que as partes mantiveram discussões por quase oito horas ao longo dos dois dias.

O líder ucraniano elogiou as garantias de segurança de Washington, mas disse também que ainda persistiam divergências sobre a questão de quais territórios a Ucrânia teria que ceder à Rússia durante as negociações.

“Houve diálogo suficiente sobre o território e acho que, francamente, ainda temos posições diferentes”, apontou Zelenski,

O chanceler da AlemanhaFriedrich Merz, apontou que as negociações criaram a “oportunidade para um verdadeiro processo de paz” e elogiou os EUA por oferecerem garantias de segurança “substanciais”.

Garantias de Trump

Durante as negociações, Trump já havia descartado a entrada formal da Ucrânia na Otan e se aliado à Rússia ao afirmar que as aspirações de Kiev à aliança eram um motivo para a invasão em grande escala por Moscou.

Segundo o oficial americano que conversou com a AFP, as garantias oferecidas por Trump a Kiev “não estarão em vigor para sempre”. “Elas estão em vigor agora, caso se chegue a uma conclusão satisfatória”, disse ele.

Apesar dos esforços de Trump para conseguir um acordo, questões significativas seguem distanciando as demandas russas e ucranianas e a própria equipe trumpista tem visões diferentes sobre como prosseguir. De um lado estão Steve Witkoff e o vice-presidente americano JD Vance, que querem chegar a um acordo que favoreça mais a Rússia e priorize os interesses comerciais americanos, e do outro está o secretário de Estado Marcio Rubio, que tem uma visão mais profissional da diplomacia./com AFP

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