O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, fez seu primeiro discurso na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas nesta terça-feira, 22. Na fala, criticou a Rússia por diversas vezes, defendeu que os países colaborem para estabelecer regras para o desenvolvimento da inteligência artificial e disse que o governo britânico está disposto a trabalhar com Estados Unidos, União Europeia, China e potências emergentes como Brasil e Índia.
Burnham reconheceu o potencial da inteligência artificial para avanços na saúde, crescimento econômico e outras áreas, mas defendeu o estabelecimento de “um conjunto simples de padrões e regras globais” que assegure a transparência e a segurança das IAs.
“Sei o quanto as pessoas estão preocupadas. Por isso, precisamos estar à altura desse momento. As decisões fundamentais sobre essa tecnologia são importantes demais para serem deixadas ao acaso. Elas devem ser tomadas por governos eleitos que servem aos trabalhadores”, afirmou o premiê britânico no discurso.
A posição de Burnham contrasta com a do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que defendeu nos últimos dias que o desenvolvimento da IA deve ser acelerado, principalmente pelos próprios EUA, e sugeriu até mudar o nome da tecnologia.
O tema da IA também foi citado por Burnham ao mencionar uma parceria em defesa com os Estados Unidos para repelir ataques hackers russos contra a infraestrutura britânica. O chefe de estado do Reino Unido afirmou ter evidências de que os russos tentaram interferir na eleição britânica de 2019.
“Eles usaram bots e sites falsos, falsificaram artigos de jornal e falsificaram a marca de 28 organizações britânicas — incluindo universidades e a BBC. Amplificaram narrativas da extrema direita e tentaram incitar a agitação após eventos horríveis”, comentou. A IA ampliaria as possibilidades de ações desse tipo e, propôs que o Reino Unido lidere uma iniciativa contra a desinformação ser utilizada como arma.
Burnham chegou a citar o Brasil como um dos países com os quais o Reino Unido pretende cooperar.
“Somos o aliado mais próximo dos Estados Unidos. Temos laços profundos com nossos amigos na União Europeia e vamos aprofundá-los ainda mais. Trabalhamos com a China e com potências emergentes como a Índia e o Brasil. Em um mundo dividido, temos a capacidade de unir as pessoas – e é isso que faremos. Vamos assumir esse papel”, projetou.
Em outros pontos, Burnham também prometeu defender a Ucrânia e criticou o grupo terrorista Hamas, mas afirmou que nada justifica as ações do governo de Israel na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, com pessoas demais morrendo, incluindo crianças, e ajuda humanitária de menos entrando. Burnham também prometeu defender as ilhas Malvinas, alvo de uma contestação da Argentina.
