Brasileiro expõe a vida para a IA, mas teme uso dos dados

O uso de inteligência artificial pelos brasileiros não se limita a temas profissionais e acadêmicos. Embora 73% usem ferramentas de IA para trabalhar e estudar, mais da metade compartilham gostos pessoais, sentimentos, dados de saúde e fotos suas ou de conhecidos com essas plataformas.

Os dados fazem parte do primeiro mapeamento de uso de IA pelos brasileiros como parte da 3ª edição da Pesquisa Privacidade e proteção de dados pessoais, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), com apoio da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

Foram feitas 2.500 entrevistas on-line com usuários da internet, com idade a partir de 16 anos. Além do trabalho e do estudo, 58% dos respondentes compartilham “preferências e gostos pessoais, como filmes ou músicas” com os chatbots de IA, 54% dividem “sentimentos e emoções”, 52% tratam de “dados de saúde, como sintomas e exames” e 50% mostram “fotos suas ou de pessoas conhecidas” nas interações.

As categorias de uso de IA menos citadas foram “finanças pessoais, como orçamentos e investimentos” (41%) e “dados pessoais, como nome, endereço, data de nascimento ou CPF” (37%), mostra a sondagem realizada em dezembro de 2025.

O comportamento destoa da preocupação de 66% dos entrevistados com o uso das informações pelas empresas donas das ferramentas de IA. O nível de preocupação é maior entre os que usam a IA tanto no celular como no computador (68%) e entre aqueles com nível mais alto de escolaridade (72%).

Os dados trazem um alerta para as empresas sobre a necessidade de governança de ferramentas de IA no ambiente de trabalho. “É possível que neste uso haja compartilhamento de informações estratégicas das organizações, sendo cada vez mais necessário que elas orientem os funcionários sobre os limites de informações disponibilizadas nessas ferramentas”, diz um dos coordenadores do estudo do Cetic.br, Leonardo Lins, em entrevista ao Valor.

Práticas importantes de gestão de dados pessoais por parte dos consumidores diminuíram em relação aos estudos anteriores. Na pesquisa atual, 65% informaram ter lido políticas de privacidade de um site ou aplicativo, ante 67% em 2023 e 68% em 2021. O número de pessoas que verificou se um site possui cadeado de segurança caiu de 70% em 2021, para 67% em 2023, e ficou em 63% na terceira edição da pesquisa.

O estudo mostra dados preocupantes sobre golpes online. Entre os pesquisados, 32% já sofreram tentativas de golpes usando seus dados pessoais, base equivalente a 45 milhões de brasileiros. E 20% disseram ter sido vítimas desse tipo de crime.

Os aplicativos de mensagem lideram como a principal via de abordagem (para 84% dos entrevistados), seguidos por ligações telefônicas (79%), sites ou aplicativos falsos (71%), SMS (71%), e-mail (69%) e redes sociais (67%).

No setor de educação, a pesquisa mostra que 39% dos gestores de escolas públicas citaram preocupações com a privacidade e a proteção de dados pessoais como os principais desafios para a adoção de softwares na gestão escolar. Entre os pesquisados, 25% disseram que a segurança de dados é um dos entraves para o uso de dispositivos, plataformas ou outros recursos educacionais digitais.

Cetic.br é a área do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) responsável pela produção de indicadores e estatísticas sobre a disponibilidade e o uso das tecnologias de informação e comunicação no Brasil. O NIC.br é vinculado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2026/09/01/brasileiro-expoe-a-vida-para-a-ia-mas-teme-uso-dos-dados.ghtml

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