Para CEOs que ainda têm dúvidas sobre o retorno do investimento em inteligência artificial, a IBM acredita ter o caso perfeito a apresentar: o dela mesma. Do início de 2023 ao fim do ano passado, a companhia economizou US$ 4,5 bilhões ao elevar sua produtividade com recursos de automação e IA. O orçamento de RH diminuiu 40% após a adoção de uma plataforma que já responde por 94% das consultas, com mais de 11,5 milhões de interações anuais. No suporte interno de tecnologia, em que 86% das sessões passaram a dispensar um profissional humano, o volume de chamadas caiu 74%. E na área de vendas, uma das mais críticas, as equipes conseguiram economizar o equivalente a 18 mil horas por mês.
“Ao todo somamos mais de cem casos dessa estratégia, que chamamos de ‘cliente zero””, diz Tonny Martins, presidente da IBM América Latina. A iniciativa, que visa a reduzir o custo e aumentar a eficiência, inclui áreas como compras, finanças, RH, vendas e marketing. “Vamos aos clientes com um caso concreto, com ganhos que afetam o resultado financeiro final”, afirma o executivo.
Como outras grandes empresas de tecnologia, a IBM tem direcionado suas forças para a inteligência artificial. Nos últimos cinco anos, investiu US$ 60 bilhões em aquisições para complementar o portfólio de IA. Na lista estão as americanas Data Stax, Seek Al e Hakkoda, todas adquiridas no ano passado. A aquisição mais recente é a da Confluent, de streaming de dados em tempo real, que tem filial no Brasil. O acordo de US$ 11 bilhões foi anunciado em dezembro e ainda precisa ser aprovado pelas autoridades antitruste.
O espaço que a IBM quer ocupar não é diretamente a arena dos grandes modelos de linguagem, disputada por OpenAl (ChatGPT), Google (Gemini) e Anthropic (Claude), nem a dos fornecedores de infraestrutura de larga escala, como AWS (da Amazon), Microsoft e Google. Tampouco é fazer concorrência frontal a empresas como SAP e Oracle, que estão recriando seus sistemas de gestão – uma espécie de espinha dorsal dos softwares empresariais – com base na IA.
O espaço que a IBM quer ocupar não é diretamente a arena dos grandes modelos de linguagem, disputada por OpenAl (ChatGPT), Google (Gemini) e Anthropic (Claude), nem a dos fornecedores de infraestrutura de larga escala, como AWS (da Amazon), Microsoft e Google. Tampouco é fazer concorrência frontal a empresas como SAP e Oracle, que estão recriando seus sistemas de gestão – uma espécie de espinha dorsal dos softwares empresariais – com base na IA.
“Vamos pensar na transferência de um profissional do Brasil para o México”, diz Martins. Normalmente, essa movimentação passa por inúmeros sistemas e pessoas até ser concluído. A IA simplifica o trabalho ao acessar plataformas, cruzar dados e submeter o processo às aprovações necessárias, tudo de maneira autônoma. “Isso permite redirecionar o time de RH para tarefas de maior valor agregado, como treinamento e engajamento”, afirma o executivo.
Alcançar resultados dessa ordem, no entanto, requer cuidados que vão além da esfera tecnológica. “As empresas devem repensar seus fluxos de trabalho se quiserem transformá-los e precisam ter à mão plataformas confiáveis e escaláveis”, diz Martins.
Três princípios são fundamentais, de acordo com o executivo. Os dois primeiros são governança – que define quem pode acessar o quê na organização e da qual derivam pontos cruciais como a segurança digitale orquestração, a capacidade de conectar sistemas e dados, não importa em que infraestrutura estejam localizados. O ponto menos conhecido é a soberania digital. Com leis de proteção de dados, como a LGPD brasileira e a GDPR europeia, as empresas precisam garantir que suas práticas estão em conformidade com as regras e com seus próprios princípios, o que inclui o uso da IA.
A IBM não divulga a receita obtida exclusivamente com inteligência artificial – o negócio está integrado a áreas como software e consultoria. Mas essa contribuição é perceptível. Reunido sob a rubrica “Generative Al Book of Business”, o valor acumulado de contratos, assinaturas e outras receitas relativas à IA cresceu de US$ 9,5 bilhões para US$ 12,5 bilhões entre o terceiro e o quarto trimestres do ano passado, um acréscimo de US$ 3 bilhões em três meses. A receita anual total, de US$ 67,5 bilhões, aumentou 8% frente a 2024, com lucro líquido de US$ 10,6 bilhões, o que representa crescimento de 75%.
Um dos problemas para a adoção rápida da IA é a falta de profissionais habilitados em tecnologia da informação. O déficit no Brasil é de aproximadamente 530 mil pessoas, mas essa carência não é inusitada, nem exclusividade do país, afirma Martins. “Isso já aconteceu em outras ocasiões de forte demanda por novas tecnologias. Vejo uma articulação maior entre governo e empresas. É um desafio, mas também uma oportunidade.”
A IBM planeja treinar 30 milhões de pessoas no mundo até 2030. No Brasil, a meta é chegar a 2 milhões até o fim deste ano. O foco é preparar trabalhadores para lidar com ferramentas tecnológicas que chegam ao escritório com rapidez cada vez maior.
É o caso dos agentes de IA, que agem de forma praticamente autônoma a partir de um pedido do usuário. Parece fácil, mas receber as respostas adequadas depende de fazer as perguntas certas. Os especialistas chamam isso de qualidade do “prompt” – o grau de clareza e precisão do comando dado à IA -, que é considerado um fator decisivo. “Quem administrar bem os ‘comos’ e ‘por ques” terá maior qualidade”, ‘, afirma Martins.
