Chegou a hora de os EUA caírem na real sobre o Oriente Médio

The New York Times; Vejamos as manchetes mais recentes: os Estados Unidos estão enviando um sistema antimísseis para Israel, juntamente com soldados americanos para operá-lo; o ministro de Relações Exteriores do Irã afirma que não haverá “nenhum limite” regendo a retaliação iraniana contra alguma retaliação israelense pela mais recente retaliação iraniana com mísseis; e relatos oriundos no Golfo Pérsico dão conta de que Teerã informou discretamente aos Estados árabes do Golfo que se o Irã for alvejado por Israel as forças iranianas poderão responder atacando campos de petróleo dos árabes. Se tudo isso não os apavora, é porque vocês não estão prestando atenção.

Permitam-me uma sugestão?

Que tal enviar nosso experiente diretor da CIA, Bill Burns, para encontrar-se com seu homólogo iraniano no território neutro de Mascate, Omã, com uma estratégia verdadeira de diplomacia coerciva para o Irã capaz realmente de trabalhar para mudar o comportamento do regime de Teerã? Burns poderia dizer ao chefe da inteligência iraniana algo mais ou menos assim:

“Vou lhe contar como vemos o seu país a partir da sede da CIA: vocês estão infiltrados, expostos e isolados.

“Infiltrados? Nós soubemos que a última piada circulando por Teerã é que seu líder-supremo está escondido e que os únicos que conhecem seu paradeiro são os israelenses. A inteligência de Israel é muito boa, mas a única razão para os israelenses terem conseguido penetrar sua liderança e a do Hezbollah tão profundamente é que muitos iranianos e muitos xiitas libaneses odeiam ambos os regimes e estão dispostos a espionar para Israel. Então, hoje vocês não têm ideia quando conversam entre si ou com o Hezbollah se a pessoa com que estão falando trabalha para vocês ou para Israel.

“Expostos? Você, Irã, disparou cerca de 500 foguetes contra Israel desde abril e não destruiu nenhum alvo militar e não matou nenhum soldado israelense sequer. E vocês sabem bem que em 19 de abril um ataque israelense contra o Irã danificou um sistema de defesa antiaérea S-300 na 8.ª Base Aérea Shekari, em Isfahan. Noticiou-se que Israel acionou drones aéreos e disparou pelo menos um míssil de um avião com tecnologia furtiva — e vocês nem se deram conta do que estava por vir. Vocês estão NUS.

“E, finalmente, vocês estão isolados. Israel atingiu severamente sua milícia Hezbollah, na qual vocês investiram bilhões de dólares, portanto o grupo não lhes protege mais de um ataque israelense contra suas instalações nucleares. Nós infligimos um dano pesado em sua milícia houthi no Iêmen. O presidente da Síria, Bashar Assad, está farto de vocês e quer expulsá-los de seu país, e os Estados árabes do Golfo estão fazendo todo o possível para afastar o líder sírio do Irã. O principal partido xiita do Iraque, liderado por Muqtada al-Sadr, odeia vocês em razão da maneira que seu regime e suas milícias têm roubado tanta renda produzida pelo petróleo iraquiano e arrastado seus aliados iraquianos para sua briga com Israel. Pesquisas mostram a dimensão da impopularidade de seu regime no mundo árabe. Nem Vladimir Putin quer que vocês consigam a bomba nuclear. Um Irã com armas atômicas ao sul da Rússia? Ele não é tão doido assim.

“Então, eis a hora da verdade para o Irã. Vocês têm dois caminhos: ou mudam de comportamento ou arriscam ruir sob o peso de sua própria irresponsabilidade. Mas quando lhes digo para mudar de comportamento, desta vez eu quero dizer algo diferente do que quando negociamos o pacto nuclear durante o governo Obama.

“Nós cometemos um erro naquele momento. Ficamos obcecados em evitar uma arma que vocês provavelmente nunca usariam — uma bomba nuclear, se é que vocês seriam capazes de fabricá-la algum dia — e ao mesmo tempo ignoramos a arma que vocês usavam todos os dias para minar nossos interesses, os interesses de nossos aliados árabes e de fato os interesses da maioria dos habitantes da região que almejam estabilidade, sem dizer os interesses de Israel. Essa arma foi a implementação de milícias armadas com foguetes cada vez mais precisos e alcance cada vez maior no Líbano, em Gaza, na Síria, no Iêmen e no Iraque. Seus aliados incapacitaram esses Estados desde dentro e ameaçaram externamente Israel e nossos aliados árabes.

https://www.estadao.com.br/internacional/chegou-a-hora-de-os-eua-cairem-na-real-sobre-ira-e-israel

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